O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quarta-feira (6) a realização de uma acareação entre o tenente-coronel Mauro Cid e o coronel Marcelo Câmara, ambos réus na investigação sobre uma suposta trama golpista.
A acareação foi solicitada pela defesa de Câmara e está marcada para a próxima quarta-feira (13), no período da manhã. O objetivo é esclarecer divergências nos depoimentos relacionados ao suposto monitoramento ilegal de autoridades, como o próprio Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), antes da diplomação da chapa eleita em 2022.
Cid é delator e réu no núcleo 1 da investigação, enquanto Câmara responde no núcleo 2. Na decisão, Moraes determinou que o coronel — atualmente preso preventivamente — compareça presencialmente ao Supremo usando tornozeleira eletrônica.
Segundo a defesa de Câmara, há “incongruências” nos relatos de Cid, que teria afirmado que o coronel participou de monitoramentos contra autoridades, quando ainda era assessor do então presidente Jair Bolsonaro (PL).

Decisão de Moraes sobre Filipe Martins
Na mesma decisão, Moraes concedeu cinco dias para que o Ministério da Justiça envie ao STF a resposta do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) sobre registros de entrada e saída do ex-assessor presidencial Filipe Martins no país.
Réu no mesmo inquérito, Martins é acusado de apresentar a Jair Bolsonaro, em novembro de 2022, uma minuta de decreto golpista. Ele foi preso preventivamente em fevereiro de 2024, com base em indícios de que teria embarcado com o ex-presidente rumo a Orlando (EUA) em 30 de dezembro de 2022 — embora não houvesse registros de sua saída no controle migratório brasileiro.
O nome de Martins chegou a constar no site do DHS, mas sua localização era considerada “incerta” pelas autoridades brasileiras. Sua prisão foi revogada em agosto de 2024, e atualmente ele cumpre medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. A defesa nega que ele tenha deixado o país no avião presidencial.