Crises globais: os conflitos armados e o cenário das violações humanitárias

Guerras, fome e violações: um retrato brutal da humanidade
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Por Iago Filgueiras*

Em uma realidade marcada por crises globais, é quase impossível abrir um jornal ou acessar as redes sem se deparar com imagens de deslocamentos forçados, guerras prolongadas e violações sistemáticas de direitos humanos. Em 2024, segundo a ONU, mais de 2 bilhões de pessoas viviam em áreas afetadas por conflitos, 673 milhões enfrentavam a fome e mais de 123 milhões foram obrigadas a deixar suas casas para sobreviver.

Esses números não expõem apenas uma crise humanitária; são um retrato da falência de sistemas que deveriam proteger a vida. Mais do que estatísticas, são evidências do sofrimento humano cotidiano. Em última instância, revelam o tipo de humanidade que temos construído e como esses indicadores passam, muitas vezes, despercebidos.

Neste artigo, analisamos os impactos humanitários das maiores crises globais em zonas de conflito e as disputas em torno da dignidade humana, cada vez mais seletiva e geopolítica.

O que é uma crise humanitária?

Antes de analisar o cenário de crises globais da atualidade, é fundamental entender do que estamos falando. Por isso, é preciso ter em mente que as crises humanitárias não seguem uma fórmula clara e, muitas vezes, seu reconhecimento depende de quem está olhando e de quem pode ser ouvido.

A Unicef define uma crise humanitária como uma situação em que impactos humanos, econômicos ou ambientais superam a capacidade de resposta local, exigindo ajuda externa imediata para minimizar as consequências.

Não há uma autoridade internacional que “declara” uma crise. Na prática, é preciso que o sofrimento humano mobilize governos, organizações, imprensa e opinião pública.

Desastres naturais costumam gerar reações rápidas, já que não há culpados evidentes. Mas quando a causa é um conflito armado ou uma perseguição, o silêncio é mais frequente — mas também tem muito a dizer.

Em virtude dos ataques e cerco israelense, a Faixa de Gaza e o povo palestino enfrentam uma situação dramática de crise humanitária. Foto: Reuters / Mahmoud Issa
Em virtude dos ataques e cerco israelense, a Faixa de Gaza e o povo palestino enfrentam uma situação dramática de crise humanitária. Foto: Reuters / Mahmoud Issa

Cenários das crises globais: onde a dignidade está ameaçada?

Conflitos armados, desastres climáticos e instabilidade política marcam os principais cenários de crise no mundo. Do Leste Europeu à Faixa de Gaza, milhões enfrentam deslocamentos forçados, fome e violações de direitos. Entender esses contextos é fundamental para reconhecer a dimensão humanitária dos desafios globais.

As múltiplas faces da crise humanitária na África

Apesar de suas vastas riquezas culturais e naturais, o continente africano concentra alguns dos cenários mais críticos entre as crises globais. Conflitos armados, mudanças climáticas, fome extrema, disputas étnicas, interesses estrangeiros em recursos minerais e colapsos institucionais formam o pano de fundo de diversas crises humanitárias em andamento.

Mapa dos locais em que ocorrem as crises humanitárias na África abordadas neste texto. Imagem: mapchart.net
Mapa dos locais em que ocorrem as crises humanitárias na África abordadas neste texto. Imagem: mapchart.net

Os conflitos no Sudão e o genocídio em curso

A crise humanitária na República do Sudão é resultado de décadas de conflito armado que expõem disputas entre grupos rivais, interesses estrangeiros em recursos naturais estratégicos e o colapso das instituições.

O país já passou por uma longa guerra civil, entre 1983 e 2005, que resultou na independência de parte do território e criação da República do Sudão do Sul — nação que também enfrenta graves problemas humanitários, onde uma a cada dez crianças não sobrevive até os cinco anos. Desde 2023, o Sudão enfrenta uma nova guerra civil, marcada pela disputa entre grupos militares rivais e diversas acusações de genocídio.

Em 2025, mais de 14 milhões de sudaneses já haviam sido expulsos de sua casa e quase três milhões buscaram abrigo em nações vizinhas. Esse fluxo de deslocamento forçado pressiona outros países da região, que também recebem refugiados de conflitos na República Democrática do Congo.

Entre as nações impactadas estão Chade, Egito e Uganda — este último é o país africano que mais recebe refugiados e, dos quase dois milhões de deslocados que buscaram abrigo no território, quase um milhão são menores de idade.

Conflito no Congo: violência, riqueza e disputas de interesses

Os conflitos no território congolês também são antigos e influenciados por imposições da época em que a África estava sob domínio europeu. Em muitos casos, as disputas ganham contornos étnicos, ao mesmo tempo em que são impulsionadas pelo interesse estrangeiro em reservas minerais estratégicas.

Segundo a ONU, mais de sete milhões de congoleses já foram deslocados. O cenário é dramático e a falta de recursos para fornecimento de ajuda humanitária também representa um desafio. Em campos de refugiados, a falta de segurança expõe mulheres a altos índices de violência sexual. Além disso, as crianças do país também estão sujeitas a assassinatos e recrutamento forçado.

A nação compartilha fronteira com diversos países que também recebem refugiados da crise humanitária no Sudão, intensificando o cenário.

Sahel Central: emergência climática e violência

O Sahel Central, região entre o deserto do Saara e as savanas africanas, também enfrenta uma crise humanitária, afetando países como Burkina Faso, Mali e Níger.

A região enfrenta problemas políticos, econômicos e de segurança. Além disso, as mudanças climáticas são ainda mais intensas no território. Com aumento de temperatura 1,5 vez a média global, intensificando os conflitos pelo controle de recursos básicos. As comunidades atingidas estão expostas à violência, tráfico humano, violência de gênero e enfrentam escassez de alimentos, água e outros recursos necessários para a vida.

Crises humanitárias no Oriente Médio: a dor como projeto político

O Oriente Médio é epicentro de algumas das crises globais mais intensas da atualidade. Conflitos armados, deslocamentos forçados, fome e colapso de serviços básicos atingem países como Iêmen, Síria, Líbano e o território palestino ocupado por Israel.

Embora tenham especificidades, essas crises revelam o impacto brutal da disputa geopolítica na região. A dor e o sofrimento são, muitas vezes, parte de estratégias políticas calculadas para manter ou ampliar poder.

Mapa dos locais em que ocorrem as crises humanitárias no Oriente Médio abordadas neste texto. Imagem: mapchart.net
Mapa dos locais em que ocorrem as crises humanitárias no Oriente Médio abordadas neste texto. Imagem: mapchart.net

O genocídio palestino e a fome como arma de guerra

O território palestino vive há décadas sob ocupação ilegal israelense. Desde os anos 1940, o conflito já deixou milhares de mortos e milhões de refugiados. Em outubro de 2023, Israel iniciou uma ofensiva contra a Faixa de Gaza após um ataque do grupo terrorista Hamas, que matou cerca de 1,2 mil pessoas e fez 251 reféns em território israelense.

A justificativa para a ação foi a eliminação do Hamas, mas os bombardeios atingiram inúmeros alvos civis. Até agosto de 2025, mais de 60 mil palestinos foram mortos. Além disso, todas as universidades e 94% dos hospitais foram destruídos. O conflito registra o maior número de mortes infantis entre todas as zonas de guerra ativas no mundo.

A fome e a escassez de medicamentos agravam a tragédia. Em Gaza, mulheres enfrentam taxas alarmantes de abortos espontâneos, enquanto 90% da população foi forçada a abandonar suas casas. Em 2024, o ministro das Finanças israelense, Bezalel Smotrich, declarou ser “justificado e moral” bloquear comida e ajuda humanitária à população civil até a libertação dos reféns.

Durante entrevista à BBC News Mundo, o historiador israelense Omer Bartov, afirmou que “o que está acontecendo se encaixa na definição de genocídio, uma tentativa de destruir um grupo como tal”. Gaza hoje é o epicentro de uma das crises humanitárias mais brutais deste século — e tudo é transmitido ao vivo pela internet.

Iêmen: guerra civil e apoio de potências regionais

O Iêmen vive uma das crises globais mais devastadoras da atualidade. Desde 2014, o país está imerso em uma guerra civil que opõe os rebeldes houthis, muçulmanos xiitas apoiados pelo Irã, às forças sunitas ligadas ao governo, com apoio de uma coalizão liderada pela Arábia Saudita. A escalada do conflito se deu em 2015, com a ocupação da capital iemenita, Sanaa, pelos houthis.

Em 2025, cerca de 80% da população iemenita precisava de ajuda humanitária. Os serviços públicos foram praticamente destruídos e o sistema de saúde nacional entrou em colapso. A insegurança alimentar afeta cerca de 17 milhões de pessoas e quase metade das crianças com menos de cinco anos apresenta atrasos graves de crescimento.

Com mais de 4,5 milhões de deslocados internos e refugiados, o país também enfrenta uma crise de deslocamento forçado. O prolongamento da guerra e a destruição da infraestrutura evidenciam que conflitos armados também envolvem interesses geopolíticos.

Crises humanitárias na Ásia: regimes autoritários e perseguição étnica

O continente asiático também enfrenta crises globais que desafiam a dignidade humana. Em países como Afeganistão, Bangladesh e Mianmar, conflitos prolongados, perseguições étnicas e regimes autoritários resultam em deslocamentos forçados, fome e negação de direitos básicos. A seguir, conheça alguns dos casos mais graves.

Mapa dos locais em que ocorrem as crises humanitárias na Ásia abordadas neste texto. Imagem: mapchart.net
Mapa dos locais em que ocorrem as crises humanitárias na Ásia abordadas neste texto. Imagem: mapchart.net

As violações no Afeganistão e o regime do Talibã

No cenário das crises globais, o Afeganistão, país da Ásia central, enfrenta uma grave crise humanitária há algumas décadas. O país foi invadido pelos Estados Unidos em 2001, como resposta ao ataque terrorista do 11 de setembro, realizado pela Al-Qaeda. O território permaneceu ocupado até 2021, quando tropas estadunidenses se retiraram e o grupo fundamentalista islâmico Talibã assumiu o poder.

O atual regime teocrático impôs uma série de restrições à população civil, como restrição dos direitos das mulheres, perseguições e prisões. Em 2025, a estimativa é de que 50% da população afegã tenha precisado de ajuda humanitária. Há cerca de 5,3 milhões de refugiados afegãos em países vizinhos, a maioria no Irã ou Paquistão.

Rohingyas: o povo sem pátria

No Mianmar, país do sul asiático, o povo rohingya enfrenta uma situação dramática há décadas. Segundo a Lei de Cidadania de 1982, essa população não é reconhecida como cidadã do país e tem dificuldade no acesso a recursos básicos.

Desde 2017, mais de um milhão de rohingyas vivem em campos de refugiados em Bangladesh, país vizinho ao Mianmar.  Os cerca de 600 mil que permanecem em sua terra natal enfrentam a sistemática violação dos direitos humanos, com perseguições, confinamento em locais específicos e acesso negado à saúde, educação e alimentação básica. O cenário tem sido caracterizado como genocídio pela comunidade internacional.

A Europa diante de suas próprias crises humanitárias

Embora distante do epicentro das guerras mais visadas, a Europa também enfrenta crises globais. Além do conflito na Ucrânia, tensões entre Armênia e Azerbaijão, somadas à chegada massiva de refugiados, expõem desafios humanitários e diplomáticos que seguem em curso no continente.

Mapa dos locais em que ocorrem as crises humanitárias na Europa abordadas neste texto. Imagem: mapchart.net
Mapa dos locais em que ocorrem as crises humanitárias na Europa abordadas neste texto. Imagem: mapchart.net

Guerra na Ucrânia: números, perdas e deslocamentos

A guerra entre Rússia e Ucrânia teve início em 2014, com a anexação da Crimeia por Moscou, mas ganhou nova escala em 2022, quando a Rússia lançou uma invasão em larga escala ao território ucraniano. Desde então, a estimativa é que mais de um milhão de pessoas já tenham morrido ou ficado gravemente feridas.

Em 2025, segundo a ONU, o conflito já havia deslocado forçosamente mais de 10 milhões de ucranianos. Quase 7 milhões de pessoas precisaram se deslocar para o exterior, sobretudo a países vizinhos, em busca de refúgio e proteção internacional. Dentro da Ucrânia, quase 13 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária.

Além da dimensão militar, a guerra tem impactos humanitários severos, incluindo insegurança alimentar, colapso de serviços públicos e sofrimento psicológico da população. Ao mesmo tempo, a guerra conta com apoio internacional e exibe uma disputa de poder entre as forças russas e tropas ucranianas, apoiadas pelos EUA e União Europeia.

Crise migratória no mar Mediterrâneo

Tentando escapar dos conflitos, sobretudo na África e Oriente Médio, milhares de pessoas morrem todos os anos em embarcações precárias tentando chegar à Europa em busca de segurança. Em 2024, foram quase 2,5 mil mortes.

Ao mesmo tempo em que as crises no continente africano são amplamente afetadas por heranças do colonialismo europeu e interesses geopolíticos de nações ocidentais, a Europa impõe uma série de restrições para evitar a entrada de imigrantes ilegais.

O cenário de violações na América

A violência armada e as crises humanitárias avançam em várias regiões das Américas, gerando violações sistemáticas de direitos humanos. Diversos países da América, incluindo o Brasil, lidam com altos índices de violência. A seguir, vamos abordar a crise humanitária no Haiti e o cenário que tem levado à necessidade de ajuda humanitária no país.

Mapa dos locais em que ocorrem as crises humanitárias na Europa abordadas neste texto. Imagem: mapchart.net
Mapa dos locais em que ocorrem as crises humanitárias na Europa abordadas neste texto. Imagem: mapchart.net

A violência e a falta de infraestrutura no Haiti

A crise humanitária no Haiti é antiga e o país ainda enfrenta consequências do período em que esteve sob colonização francesa. O cenário se agravou após um terremoto em 2010, que destruiu a infraestrutura do país e deixou mais de 200 mil mortos.

Desde então, o cenário tem se deteriorado e a violência armada entre gangues rivais e forças do governo têm levado à morte e deslocamento forçado de milhares de pessoas. Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, de 2024 ao início de 2025, foram mais de 5,5 mil mortos e cerca de um milhão de deslocados.

O lucro por trás das crises: quem ganha com o caos?

Nem toda crise humanitária nasce apenas do caos. Muitas delas são alimentadas — ou mesmo mantidas — por interesses estratégicos, disputas geopolíticas e cifras bilionárias. Em vários dos conflitos apresentados até aqui, há forças externas disputando territórios, rotas comerciais, influência regional e acesso a recursos naturais como lítio, petróleo ou água.

Esse padrão não é novo. A Conferência de Berlim (1884-1885), que dividiu a África entre as potências europeias (sem consultar nenhum povo africano), ainda ecoa nas disputas territoriais e conflitos armados que se multiplicam no continente, por exemplo.

Por trás das imagens de fome, bombas e deslocamentos forçados, existe um mercado ativo de armas, mineração e reconstrução. Em 2023, as cem maiores empresas armamentistas do mundo lucraram mais de US$ 632 bilhões. Só os EUA concentram mais da metade desse montante. Rússia, Israel e países do Golfo também ampliaram seus lucros.

Falar em crises globais sem mencionar quem lucra com elas é ignorar a outra face da tragédia: aquela que transforma sofrimento humano em capital e vidas em estatística.

Os conflitos armados, além de provocar inúmeros efeitos sobre a população civil envolvida, impulsionam os relatórios de faturamento das indústrias que produzem equipamentos militares. Foto: Anatolii Stepanov/AFP
Os conflitos armados, além de provocar inúmeros efeitos sobre a população civil envolvida, impulsionam os relatórios de faturamento das indústrias que produzem equipamentos militares. Foto: Anatolii Stepanov/AFP

Crises humanitárias também são crises de humanidade

Em uma época onde as crises globais são cada vez mais intensas e o interesse geopolítico e econômico se sobrepõe à preservação da vida, é preciso ter em mente que as violações dos direitos humanos só ganham o mundo quando o sofrimento humano comove o suficiente para chocar. E o mundo só se choca com a dor do outro quando realmente reconhece o outro como um sujeito de direitos.

No artigo Crise humanitária e consciência humanitária em construção, o doutor em ciências sociais e professor da PUC-SP, João Décio Passos, afirma que entender o “humanitário” pressupõe superar as visões que nos dividem entre humanos e não-humanos, sejam elas sociais, políticas, culturais, religiosas ou supostamente biológicas.

“As crises humanitárias narram a morte de homens e mulheres em nome dos que têm mais direitos: no limite, dos mais humanos e dos menos humanos, dos mais humanos que podem/devem negar a igualdade e eliminar os menos humanos.”, escreve.

O presente que devemos disputar

Enquanto não reconhecermos que toda crise humanitária é, antes de tudo, uma crise de humanidade, continuaremos enxugando gelo em desertos criados pela forma em que nossa sociedade se organiza.

A explosão no número de deslocamentos forçados não é um fenômeno natural. É consequência direta de decisões políticas, econômicas e militares, muitas delas tomadas por quem hoje fecha as fronteiras. O mundo atual revela um sistema que se alimenta da guerra, do deslocamento e da miséria — e lucra com isso.

Em um cenário de enfraquecimento dos organismos multilaterais e das instituições globais, a violência passa a se apresentar como uma alternativa para a resolução de disputas e o diálogo perde cada vez mais espaço.

Em entrevista à Rádio USP, o professor de relações internacionais, Pedro Dallari, alertou que “quando há uma fragilização e um enfraquecimento das instituições de governança, as condições se tornam mais favoráveis para o encaminhamento dos conflitos por via da violência e não por via de uma gestão por instituições, sejam do Estado ou internacionais”.

Mas além disso, é preciso refletir sobre a sociedade que queremos construir. Subverter a lógica do lucro sobre a vida é urgente. E reconhecer o outro como sujeito de direitos, enfrentar as estruturas que transformam dor em capital e recuperar a centralidade da vida humana se torna fundamental.

Não há saída fora da empatia. E não há futuro possível se não nos indignarmos com o presente.

Em 2024, mais de 2 bilhões de pessoas viviam em áreas afetadas por conflitos e 123 milhões foram forçadas a deixar suas casas. Esses números não são estatísticas abstratas: são o resultado de decisões políticas e interesses econômicos que estruturam a ordem mundial. Tudo isso afeta, direta ou indiretamente, a vida de todos os países, incluindo o Brasil.

No dia 5 de maio, terça-feira, às 20h, o ICL exibe gratuitamente a aula de Jamil Chade sobre a nova ordem mundial, ao vivo da sede da ONU em Genebra, com mediação de Eduardo Moreira. Inscreva-se agora!

*Estagiário sob supervisão de Leila Cangussu

 

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