Deputado autista recua e diz que não usará diagnóstico para se livrar de punição

Marcos Pollon (PL-MS) disse que foi "mal interpretado" após vídeo ter repercussão negativa nas redes
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Por Manuela Borges

O deputado Marcos Pollon (PL-MS), alvo de uma representação que será analisada pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados por participar do motim que interrompeu os trabalhos da Casa por mais de 30 horas na semana passada, voltou atrás e disse que não pretende mais utilizar seu diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) como argumento para se defender de uma possível punição.

“O autismo não é incapacitante para mim. Tenho hiperfoco e altas habilidades. Fui mal interpretado. O que eu disse é que não estava entendendo se era ou não para desocupar a Mesa Diretora, mas eu sabia exatamente o que estava acontecendo”, detalhou o deputado ao ICL Notícias.

‘Explicação’ do deputado pegou mal nas redes

O recuo destoa de uma publicação feita pelo parlamentar dias antes, quando em vídeo publicado por ele nas redes sociais, justificou que permaneceu na Mesa Diretora por ser autista e não ter compreendido o que acontecia ali. A nova versão se dá diante da má repercussão do vídeo na internet.

De acordo com imagens gravadas no dia da rebelião, Marcos Pollon e o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) foram os últimos a deixar a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, impedindo que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), reassumisse o comando dos trabalhos legislativos.

Ao dizer que foi “mal interpretado”, Pollon afirmou que o diagnóstico de TEA não será parte da estratégia de sua defesa para evitar punições e reforçou que pretende apresentar seus argumentos no processo disciplinar “pelos meios convencionais”.

Os parlamentares Marcos Pollon e Marcel van Hattem estão entre os 14 nomes citados na representação encaminhada à Mesa Diretora pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, que pede a suspensão de mandatos parlamentares e a punição rigorosa dos envolvidos no motim que o impediram de assumir a cadeira da presidência.

Deputado
O deputado Marcos Pollon participou do motim que paralisou a Câmara por 30 horas na semana passada (Foto: Câmara dos Deputados)

Nesta quarta-feira, o corregedor da Casa, deputado Diego Coronel (PSB-BA), notificou os parlamentares do PL, PP e União que ocuparam a Mesa Diretora, impedindo o início da sessão plenária, e disse que vai trabalhar de forma “célere” para finalizar seu parecer o quanto antes.

Os parlamentares têm até cinco dias úteis para analisar a representação e apresentar defesa prévia por escrito. O prazo para a Corregedoria finalizar o parecer, que será encaminhado à Mesa Diretora da Casa, é de 45 dias úteis. O documento indicará o prosseguimento ou não da denúncia para análise do Conselho de Ética.

Parlamentares ouvidos pelo ICL Notícias afirmaram que esse prazo dilatado para a Corregedoria analisar a representação pode acabar gerando impunidade e receiam que apenas “deputados de baixo clero” – ou seja, com pouca força política dentro do Congresso Nacional – sejam punidos.

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