O Banco do Brasil (BB) registrou um forte recuo no lucro do segundo trimestre de 2025, levando o mercado a reagir com preocupação. O banco estatal divulgou na noite de quinta-feira (14) que o lucro ajustado foi de R$ 3,8 bilhões, o que representa uma queda de 60% em relação ao mesmo período do ano passado. Este é o pior desempenho trimestral desde 2020.
O resultado do Banco do Brasil ficou bem abaixo das expectativas dos analistas, que projetavam um lucro em torno de R$ 5 bilhões. A divulgação levou a uma queda adicional nas ações da instituição, que acumulam baixa de quase 18% no ano.
Além disso, o Banco do Brasil anunciou que reduzirá a distribuição de dividendos para 30%, abaixo da faixa anterior de 40% a 45%, marcando a primeira redução nesse percentual em cinco anos.
A instituição dará mais detalhes em coletiva de imprensa marcada para esta sexta-feira (15), quando deve apresentar estratégias para enfrentar o novo cenário — marcado por risco de crédito elevado, pressão regulatória e crescente desconfiança do mercado.
Banco do Brasil: Agronegócio e nova contabilidade pressionam resultado
Segundo o banco, o desempenho negativo foi influenciado principalmente pelo avanço da inadimplência, especialmente no setor do agronegócio, e pelas novas regras contábeis que passaram a vigorar em janeiro. Essas mudanças exigem critérios mais conservadores para provisões de crédito e impedem a contabilização de juros sobre empréstimos considerados de alto risco.
As provisões para perdas com créditos duvidosos mais que dobraram, somando R$ 15,9 bilhões, alta de 104% em relação ao segundo trimestre de 2024. A pressão recaiu com força sobre a carteira rural, em meio a um cenário de alta nos pedidos de falência entre produtores.
Outro indicador do Banco do Brasil que chamou a atenção foi o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), que caiu para 8,4%, o menor patamar desde 2016 — sinal de perda de rentabilidade.
Impacto nas contas públicas
A queda nos dividendos impacta diretamente o governo federal, que é o principal acionista da instituição. Com mais da metade das ações do BB sob controle da União, a redução nos repasses deve se refletir nas contas públicas, num momento em que o governo já enfrenta desafios fiscais.
A presidente do banco, Tarciana Medeiros, afirmou em comunicado que “2025 é um ano de ajuste, antes de acelerar o crescimento”.
O BB também restabeleceu sua projeção de lucro para o ano, que havia sido retirada em maio após o agravamento da inadimplência no campo. Agora, o banco espera queda de pelo menos 34% no lucro anual frente a 2024.