Embraer rebate investigação dos EUA e afirma que tarifas prejudicam economia americana

Empresa se defende da investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301
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A Embraer, maior fabricante brasileira de aeronaves, enviou nesta segunda-feira (18) uma carta ao governo dos Estados Unidos para se defender da investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301, mecanismo que permite a Washington adotar medidas unilaterais diante de supostas práticas comerciais desleais.

Embora os jatos comerciais e executivos da empresa tenham ficado de fora do tarifaço extra de 40% anunciado recentemente, a companhia ainda enfrenta uma tarifa de 10% e tenta negociar isenção total. No documento, assinado pelo presidente Francisco Gomes Neto, a Embraer argumenta que impor novas barreiras às suas exportações seria “contrário aos interesses dos EUA”.

Na carta, a Embraer lembrou que, apesar de ter sede no Brasil, mantém operações relevantes em território americano. A empresa controla a Embraer Aircraft Holding (EAH), subsidiária fundada em 1979 na Flórida, que fabrica jatos executivos e presta serviços de aviação.

Segundo a companhia, seus negócios movimentam fortemente a economia local:

  • Mais de 12,5 mil empregos gerados nos EUA, sendo 2,5 mil diretos e 10 mil indiretos;
  • Presença em 17 unidades de produção e manutenção espalhadas por estados como Flórida, Texas, Arizona, Geórgia e Tennessee;
  • Projeção de criar 5 mil novos postos de trabalho até 2030;
  • Exportações anuais de US$ 600 milhões em aeronaves executivas produzidas em Melbourne (Flórida).

Além disso, a Embraer destacou que 88% de seus acionistas estão sediados nos EUA e que 44% das ações são negociadas na Bolsa de Nova York.

Embraer reafirma superávit dos EUA

A fabricante ressaltou que mais de 2 mil aeronaves da marca operam atualmente nos Estados Unidos, transportando cerca de 100 milhões de passageiros por ano — o equivalente a 10% de todo o tráfego aéreo do país. Companhias como American Airlines, Delta, United e Alaska Airlines estão entre as principais clientes.

A empresa também lembrou de sua participação no setor de defesa, afirmando que pode ampliar investimentos caso o cargueiro militar KC-390 seja escolhido pela Força Aérea americana.

De acordo com a carta, caso as tarifas fossem eliminadas, os Estados Unidos poderiam alcançar um superávit de US$ 8 bilhões no comércio com a Embraer entre 2025 e 2030. O documento ainda reforça que a empresa pretende comprar bilhões em bens e serviços de fornecedores norte-americanos nos próximos anos, beneficiando a indústria local.

Segundo a Embraer, “a imposição de restrições à importação de produtos da Embraer seria diretamente contrária aos interesses dos EUA”, destacando que nenhum dos atos, políticas e práticas investigados pela Seção 301 “têm qualquer relação com a Embraer ou seus negócios”.

“Por exemplo, o comércio de produtos para aeronaves civis da Embraer não se beneficiou de supostas tarifas preferenciais injustas, pois o Brasil há muito adere a uma abordagem de tarifa zero para produtos de aeronaves civis com todos os seus parceiros comerciais. Em suma, as alegações em questão são irrelevantes para as ações da Embraer no Brasil e nos Estados Unidos”, defendeu a empresa brasileira.

“Além disso, o Comitê da Seção 301 deve estar ciente de que a Embraer e suas afiliadas nos EUA geram enormes benefícios líquidos para os Estados Unidos. Na ausência de interrupções tarifárias, a Embraer pretende comprar mais de [valor omitido pela empresa] em bens e serviços de empresas americanas entre 2025 e 2030, e a maioria dessas compras representaria exportações dos EUA para o Brasil”, disse na carta.

Até o momento, a administração Trump não se pronunciou sobre a carta enviada pela companhia.

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