Em telefonema, Lula diz a Trump que tarifas são ‘infundadas’ e cobra negociação

Presidentes conversaram por 1h20 e também trataram de segurança pública, Ucrânia, Oriente Médio e atuação da ONU
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou na manhã desta sexta-feira (21) para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A conversa durou uma hora e 20 minutos e, segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, ocorreu em tom “amistoso e cordial”.

Entre os principais assuntos tratados esteve a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos. Lula afirmou que as justificativas apresentadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos são “infundadas”.

Lula argumentou que as tarifas “afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos” e defendeu a continuidade das negociações. Para o presidente brasileiro, “seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países”.

Lula também reiterou a importância de trabalhar para que os Estados Unidos continuem sendo “um dos principais parceiros comerciais do Brasil”. Segundo a Secom, Trump concordou sobre a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que as equipes dos dois países voltassem a se reunir “o mais brevemente possível”.

Lula e Trump
07.05.2026 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Casa Branca, Washington, D.C. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Crime organizado

Durante a conversa, Lula também defendeu o fortalecimento da cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado.

O presidente afirmou que grupos criminosos exercem “terror cotidiano sobre as populações mais carentes”, mas ressaltou que eles “não se confundem com organizações terroristas”. Segundo Lula, o Brasil possui instrumentos para enfrentar essas organizações sem a necessidade de uma classificação especial.

Lula apresentou a Trump a estratégia brasileira de asfixia financeira da criminalidade, que já teria resultado na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões. Também mencionou os planos de transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima e citou a aprovação da Lei Antifacção, que facilita a apreensão de bens e passaportes.

O presidente ainda falou sobre a proposta de emenda à Constituição que amplia o papel do governo federal na segurança pública em colaboração com os estados e sobre o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, que reúne oficiais de todos os países amazônicos.

Trump, segundo a Secom, se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e afirmou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar continuidade aos entendimentos na área.

Ucrânia, Oriente Médio e ONU

Lula e Trump também trocaram impressões sobre os principais conflitos internacionais, especialmente as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.

Os dois concordaram sobre a “urgência de encontrar uma solução negociada” para a guerra entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por quase cinco anos. Trump também apresentou considerações sobre as perspectivas de resolução do conflito com o Irã.

Lula criticou a “inoperância do Conselho de Segurança da ONU” e propôs a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para buscar saídas diplomáticas para as crises atuais. A proposta segue uma iniciativa que o presidente brasileiro já havia apresentado aos presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin.

Ao defender a busca por soluções diplomáticas para os conflitos, Lula afirmou: “Os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos.”

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