Racismo não é entretenimento

Atos racistas revelam construção social que animaliza e objetifica corpos negros
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Quero começar o texto de hoje rememorando um trecho do meu texto “Os racismos de todos os dias”: “O racismo como um dos principais produtos cultuais da herança do colonialismo europeu, além de fabricar relações de hierarquia, também fomenta as desigualdades.”

A Justiça do Rio de Janeiro condenou as influenciadoras digitais que ofereceram, em vídeo publicado em plataformas digitais, uma banana e um macaco de pelúcia a duas crianças negras, de 9 e 10 anos.

O caso, que ganhou grande repercussão no país, ocorreu em 2023 na cidade de São Gonçalo, região metropolitana do Rio. A decisão tomada, a juíza Simone de Faria Feraz, da 1ª Vara Criminal da Comarca de São Gonçalo, endossou que os atos cometidos pelas influenciadoras correspondem a uma monstruosidade.

(Foto: reprodução)

As influenciadoras foram condenadas a 12 anos de prisão por injúria racial e pagamento de indenização de R$ 20 mil a cada uma das vítimas.

O caso, que poderia entrar para mais um dos inúmeros episódios de racismo que acontecem cotidianamente no Brasil, revela uma nefasta construção social que animaliza e objetifica corpos negros como atrativos e entretenimento.

Entretanto, por detrás desse pseudo entretenimento, estão os atos de racismo e preconceitos que aparecem como subprodutos construídos dentro das tramas das formações das classes sociais destituídas dos conceitos de liberdade e alteridade.

Precisamos lembrar que o racismo e o preconceito cultural são problemas da sociedade brasileira, ou seja, problemas de brancos também, e precisam ser resolvido com fomentação e implementação de leis mais rígidas e políticas antirracistas.

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