CPI do INSS: Lupi admite nomeações, se afasta de fraudes em descontos e preserva Lula

O ex-ministro foi ouvido na CPI do INSS
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Em seu depoimento na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do INSS, nesta terça-feira (9), o ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT), assumiu que chancelava indicações para cargos no órgão. Apesar da confissão, Lupi tentou se afastar do escândalo de descontos irregulares em benefícios previdenciários e tentou preservar o presidente Lula (PT).

O ex-ministro disse que a responsabilidade sobre decisões relacionadas a descontos em aposentadorias seria da instituição INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Segundo Lupi, o instituto tem autonomia tem autonomia, e não precisava de seu aval para tomar decisões como esta. O antigo chefe da pasta começou a ser ouvido na tarde de segunda (8), e terminou seu depoimento, na condição de testemunha, na madrugada desta terça (9), às 02h10. O depoento foi direto em suas falas, dando respostas curtas à perguntas que muitas vezes eram repetidas.

Carlos Lupi foi ministro da Previdência do início de 2023 até maio deste ano, quando caiu por causa do escândalo de descontos irregulares. Ele afirmou que, no início de sua gestão, aceitou indicações para a estrutura do INSS vindas de dentro do órgão, mas que as chancelava.

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Ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi, durante a CPI do INSS (Foto: Agência Senado)

Depoimento de Lupi

Lupi disse que a escolha de Alessandro Stefanutto — que presidia o órgão quando o escândalo emergiu, e deixou o governo juntamente com Lupi — para o cargo, foi em vista de seu currículo.

“Em nenhum momento autorizei nada dentro do INSS. O INSS é uma autarquia autônoma e independente”, disse Lupi ao ser questionado se havia autorizado adesões em bloco a descontos em aposentadorias.

“Eu não tenho nem o poder de estar dentro da autarquia, nem a função de cuidar desse processo do dia a dia da autarquia”, declarou.

O deputado Alfredo Gaspar perguntou a Lupi se ele havia relatado a Lula os indícios de fraude, ao que Lupi negou. as conversas com o presidente da República são sempre de macropolíticas. Essa questão é de autonomia de uma autarquia, a maior da América Latina, que é o INSS”, disse.

De acordo com Lupi, Lula só tomou conhecimento das fraudes no dia da apuração deflagrada pela Polícia Federal, assim como ele.

Perguntado se conhecia José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Lula e vice-presidente do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos) — um dos dirigentes de entidades citadas nas investigações sobre descontos irregulares — Lupi declarou que o havia conhecido há anos atrás, num movimento sindical, mas que nunca recebeu nenhum pedido do irmão do presidente.

Sobre Milton Cavalo, presidente do Sindnapi, o ex-ministro disse ter boa realção. “É um membro do meu partido, filiado ao meu partido há muitos anos, assumiu essa associação não tem um ano, porque antes tinha uma outra pessoa que representava, e eu o tenho em boa conta”, declarou.

Após um intervalo, uma confusão tomou conta da CPI quando o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) perguntou a Lupi quem era o ministro da Previdência em 2024, e Lupi declarou que não responderia. Ao que integrantes da CPI fizeram protestos, dizendo que ele teria que responder.

O advogado de Lupi, Walber Agra, argumentou que seu cliente teria o direito de se manter em silêncio, mas o relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), contra-argumentou dizendo que ele só teria esse direito caso a resposta fosse incriminá-lo de algo.

Após o fim da confusão, já durante a madrugada, Lupi foi perguntado sobre sua presença no Mundial de Clubes da FIFA. O deputado Luiz Lima (Novo-RJ) quis saber  quem custeou a ida do ex-ministro à Arábia Saudita e se ele havia avisado a Lula sobre a viagem. Lupi respondeu que a viagem foi paga pela própria FIFA, e admitiu que o presidente Lula não foi informado sobre sua ida para o evento esportivo.

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