Atos contra PEC da Bandidagem preocupam e surpreendem o centrão 

Mobilizações contra a proposta surpreenderam o centrão e abriram fissuras até na direita
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Por Cleber Lourenço

As manifestações realizadas no último domingo contra a chamada PEC da Blindagem — apelidada de PEC da Bandidagem — mudaram o cenário político em Brasília. Com atos em 33 cidades, incluindo as 23 capitais, o recado das ruas foi considerado forte o suficiente para gerar apreensão até mesmo entre líderes do centrão.

Segundo relatos colhidos pela reportagem, o centrão se surpreendeu com a dimensão da mobilização e passou a avaliar que a proposta não deve prosperar no Senado. A leitura entre aliados é de que a PEC será enterrada já nesta semana, diante da dificuldade de avançar após a repercussão negativa.

Inclusive, parte da intentona por ela vinha de uma expectativa de que haveria pouca mobilização popular, uma vez que o debate estaria mais concentrado na anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e o julgamento da tentativa de golpe.

Mobilização nas mídias sociais barrou aprovação da PEC da blindagem Crédito: Pedro França/Agência Senado PEC
Voz do povo que foi as ruas no último final de semana, ajudou a queimar ainda mais a PEC da Bandidagem e a anistia (Foto: Pedro França / Agência Senado)

Avaliações pós PEC

No campo da extrema-direita, a avaliação também é de que dificilmente a anistia pretendida para Jair Bolsonaro e seus aliados seguirá adiante nos termos mais amplos. A aposta é que, no máximo, haja um projeto de redução de penas — e ainda assim, com risco de não alcançar o próprio ex-presidente.

A apreensão é evidente: integrantes do centrão classificam o momento como “algo para se prestar a atenção” e tentam medir o impacto político do desgaste. Já entre bolsonaristas, há um esforço de narrativa para sustentar que houve arrependimento em relação ao apoio massivo dado à PEC na Câmara. No entanto esse suposto recuo não é real. O desconforto surgiu porque o debate gerado pela aprovação poderia atrapalhar diretamente os planos de anistia aos criminosos condenados do 8 de janeiro.

O peso dos protestos também acelerou a movimentação no Senado. O relator da proposta na CCJ, Alessandro Vieira (MDB-SE), já sinalizou que apresentará parecer pela rejeição. A expectativa é que essa posição seja consolidada na quarta-feira, selando o destino da PEC.

Enquanto isso, a base governista vê no desgaste do texto uma oportunidade para isolar o bolsonarismo e reduzir o alcance de qualquer proposta de anistia, que agora tende a ser mais restrita e de difícil tramitação.

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