Porta-voz da PM do Rio diz que confronto de facções ‘excede capacidade do Estado’

Porta-voz defendeu uma integração com forças de segurança federais para tentar conter a violência
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A porta-voz da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ), a tenente-coronel Claudia Moraes, afirmou que a guerra entre traficantes dos complexos da Pedreira (Terceiro Comando Puro) e do Chapadão (Comando Vermelho), na Zona Norte da capital fluminense, “ultrapassa a capacidade do Estado do Rio de Janeiro”. A declaração foi dada em entrevista à rádio CBN.

Na entrevista, a porta-voz defendeu uma integração com forças de segurança federais para tentar conter a violência. “Não interprete mal a minha fala. A Polícia Militar, as forças de segurança vêm trabalhando muito e duramente. A gente vem trabalhando todos os dias. O que estou deixando muito claro é que essa situação que estamos enfrentando nessa região, principalmente nesse confronto de facções criminosas, excede a capacidade do Estado do Rio de Janeiro”, disse.

“Ali é uma área onde a presença do policiamento vai desde buscar a proteção física das pessoas até o combate ao roubo de veículo, roubo de carga, roubo a transeunte. O roubo de veículo pode evoluir rapidamente para um latrocínio, a gente sabe disso. Essa questão da integração do estado com as forças federais… esses fuzis entram por algum lugar, a droga também não é fabricada aqui, ela chega aqui. A gente está combatendo o efeito, mas para trabalhar na causa é preciso de muito mais atores nesse contexto”, completou a tenente-coronel.

Segundo a tenente-coronel Claudia Moraes, o 41º BP (Irajá), responsável pelo policiamento no Chapadão e na Pedreira, é o que mais apreende fuzis no estado. ” A gente não se orgulha de um resultado desse porque se a gente está apreendendo muito é porque tem muito. Entram por fronteiras, por outras áreas. E tirar essas armas das mãos dos criminosos não é uma coisa simples. Não é uma questão de pedido de socorro. É um alerta para o país. O que acontece no Rio de Janeiro pode ser referência para outros estados. Para se ter uma ideia, esse ano em Pernambuco apreendeu 18 fuzis. Isso a gente apreende em uma semana no Rio de Janeiro”.

Confrontos na Pedreira e no Chapadão (RJ)

A Polícia Militar do Rio de Janeiro ocupa os acessos do Chapadão e da Pedreira por “tempo indeterminado”. Na madrugada desta segunda-feira (27), Marli Macedo dos Santos, de 60 anos, morreu, após ter a casa invadida durante um confronto entre facções rivais em Costa Barros.

De acordo com informações preliminares, homens do CV (Comando Vermelho) tentaram invadir o Complexo da Pedreira, controlado pelo Terceiro Comando Puro (TCP), a partir do Complexo do Chapadão. Houve intensa troca de tiros entre os grupos. Durante a fuga, um dos criminosos do CV entrou em uma casa na Estrada de Botafogo, onde estavam Marli e outro morador. Em outro ponto da Pedreira, Elison Nascimento Vasconcelos, de 33 anos, foi atingido no peito ao sair de um pagode.

Porta-voz da PM diz que guerra na Pedreira e no Chapadão (RJ) 'excede' capacidade do estado
Marli Macedo dos Santos e Elison Nascimento Vasconcelos morreram durante confronto entre facções rivais. (Foto: Reprodução)

“O que aconteceu com a dona Marli é para a gente lamentar profundamente. É isso que os crimes fazem, colocam a população como refém. Eles utilizam as Upas como pontos de vendas de drogas, utilizam a população, usam os serviços como uma espécie de escudo humano para se proteger e atuar livremente.

Essa situação de invasão dessa casa, e a outra facção vai até lá para confrontar o crime, colocando essas pessoas em risco, e que culminou com a morte da moradora em sua residência, mostra como isso é complexo. Não é simples, não existe bala de prata, não existe solução única. A integração é o primeiro caminho, o primeiro passo. A gente não pode resolver da noite para o dia um cenário que se estabelece há mais de 40 anos”, disse a tenente-coronel Claudia Moraes, sobre o caso.

Durante cerca de um mês, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Costa Barros ficou fechada por questões relacionadas à segurança. A unidade foi reaberta nesta segunda-feira (27). “A gente está com o desafio agora de reabertura da UPA onde a gente está com uma situação de ter que colocar um blindado na porta da UPA para ela funcionar. Isso não é um estado de normalidade”, disse Claudia Moraes.

“O que a gente vê é isso: essa tentativa de domínio territorial. Ali naquela região você tem de um lado o Chapadão e, de outro, a Pedreira, cada um com uma facção. E é uma área muito próxima, então esses criminosos conseguem acessar rapidamente a área de um e do outro.

A Polícia Militar faz seu trabalho de policiamento ostensivo, mas é um cenário muito complexo e que a gente sempre diz o seguinte: a presença do fuzil, desses armamentos de guerra, de granadas não é uma questão banal, não é uma questão trivial. Esses equipamentos entram no Brasil. A gente precisa de um grande esforço para que a gente consiga enfrentar esse problema. Não será a Polícia Militar sozinha que vai resolver”, explicou.

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