Amorim quer reduzir verba da Defensoria que foi barrada na apuração das 121 mortes

Defensoria denunciou que estava sendo impedida pelo governo do Rio a acompanhar as perícias nos corpos dos mortos na Operação Contenção
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Por Tempo Real

O líder do governo na Assembleia Legislativa, Rodrigo Amorim (União), vai comandar uma frente de deputados de direita disposta a enquadrar a Defensoria Pública do Estado do Rio. A primeira providência do grupo será reduzir o orçamento do órgão para 2026.

Nesta quinta-feira (10), a Defensoria denunciou que está sendo impedida pelo governo do estado de acompanhar as perícias nos corpos dos mortos na Operação Contenção, que foram levados para o Instituto Médico-Legal (IML).

Rafaela Garcez, subcoordenadora do Núcleo de Defesa Criminal do órgão, afirmou que enfrenta dificuldades para acessar as provas da ação policial nos complexos do Alemão e da Penha; e anunciou que vai judicializar o caso, enviando uma petição ao Supremo Tribunal Federal.

Pelo menos 121 pessoas foram mortas na ação, entre elas, quatro policiais.

Amorim também quer que a Defensoria seja obrigada a participar das operações em favelas

Amorim e a chamada bancada da bala também vão apresentar um projeto de lei para que a Defensoria seja obrigada, a partir de agora, a acompanhar as operações policiais — para, dizem, entender as dificuldades pelas quais passam os outros órgãos envolvidos, como as polícias.

PGR cobra explicações do governo do Rio sobre operação que deixou 119 mortos
Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil

Acompanhamento faz parte da ADPF 635

Segundo a Defensoria, o acompanhamento das perícias nos corpos faz parte da atuação na ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, determinada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

A Polícia Civil, porém, afirmou que o acesso ao IML estava limitado a policiais civis e membros do MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro).

“Queremos entender as circunstâncias dessas mortes, gostaríamos de acompanhar. Ao Ministério Público a entrada foi oportunizada e à Defensoria não foi permitido o ingresso”, afirmou a defensora Rafaela Garcez.

Segundo Rafaela, houve contatos com a Secretaria de Segurança Pública para o ingresso, mas a coordenação afirmou que nomes deveriam constar em uma lista.

A Defensoria pretendia requisitar judicialmente o acompanhamento das perícias. Inabitual, a entrada é pedida, segundo o próprio órgão, pela singularidade da operação.

*Com informações da Folhapress

Carregar Comentários
Assine nossa newsletter
Receba nossos informativos diretamente em seu e-mail