Por Cleber Lourenço
O relator do projeto de lei antifacção, Guilherme Derrite (PP-SP), não procurou o governo nem o Ministério da Justiça para discutir a proposta. Em resposta ao ICL Notícias, a pasta confirmou que não houve qualquer contato, pedido de reunião ou interlocução com o deputado — nem do ministro nem de outros integrantes do ministério.
A falta de diálogo com o Executivo aprofundou a desconfiança no Palácio do Planalto e reforçou a leitura de que a escolha de Derrite para a relatoria foi um golpe político articulado pela oposição.
No governo, a avaliação é de que o movimento faz parte de uma estratégia para tomar a pauta da segurança pública e reposicionar o campo bolsonarista como dono do discurso do combate ao crime.
Derrite de olho em 2026
Derrite, secretário licenciado de Segurança Pública de São Paulo e aliado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), é visto como peça de um tabuleiro político maior que mira as eleições de 2026.
Fontes da articulação política afirmam que o deputado evita deliberadamente o diálogo com o governo para sustentar a imagem de independência e projetar Tarcísio como liderança nacional da extrema direita.

Nos bastidores, interlocutores do governo afirmam que o comportamento de Derrite não é descuido, mas estratégia. Ao manter distância do Planalto, o relator transforma o PL antifacção em um palanque de oposição, fortalecendo o discurso punitivista e criando contraste com a agenda institucional do Executivo. “Ele quer monopolizar o tema da segurança e fazer disso vitrine eleitoral”, avalia um ministro ouvido pelo ICL Notícias.
Para o governo, a situação confirma o que já se percebia desde a liberação do parecer durante a COP 30: a oposição capturou o projeto.
A ausência de diálogo, somada à ligação direta de Derrite com Tarcísio, consolidou a ideia de que o PL antifacção, originalmente proposto pelo governo, foi sequestrado politicamente e virou instrumento de disputa antecipada pela sucessão presidencial.