Entenda como decisão de Trump sobre tarifas impacta exportações brasileiras

Manutenção da tarifa de 40% mantém Brasil em desvantagem
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Os Estados Unidos anunciaram, na sexta-feira (14), a redução das tarifas de importação de cerca de 200 produtos, incluindo itens relevantes da pauta exportadora brasileira — como café, suco de laranja, carne bovina e frutas. A medida foi recebida com otimismo pelo governo brasileiro, mas provocou reações cautelosas entre exportadores e representantes da indústria, que ainda veem o país em desvantagem competitiva no mercado norte-americano.

A decisão envolve apenas as chamadas tarifas de reciprocidade, uma taxa de 10% imposta pelo presidente Donald Trump em abril. Com o corte, alguns produtos tiveram alíquota zerada, como o suco de laranja. Outros, como o café, tiveram redução de 50% para 40%, número que segue considerado alto por empresários do setor.

Segundo o governo brasileiro, a mudança elevou de 23% para 26% o percentual das exportações nacionais para os EUA que não sofrem tarifas adicionais, o que representa cerca de US$ 10 bilhões em embarques livres de sobretaxa.

No sábado (15), o vice-presidente Geraldo Alckmin se pronunciou sobre a redução das tarifas pelo governo Trump. Ele celebrou a decisão do presidente estadunidense, Donald Trump, afirmando que foi “na direção correta”, mas ponderou que para alguns produtos, como o café, “40% ainda é alta, não tem sentido”.

“O Brasil é o principal exportador [de café] aos EUA, 33% [do total vendido no mercado estadunidense] é o Brasil e é o café arábica, o mais consumido lá. Mas são avanços sucessivos”, finalizou.

Entre os produtos contemplados pela redução estão diversos cortes de carne bovina, frescos ou refrigerados, com ou sem osso, classificados em diferentes categorias tarifárias dos EUA.

Por que o corte de tarifas promovido por Trump gerou críticas no Brasil

A principal queixa do setor produtivo brasileiro é que a sobretaxa de 40%, imposta por Trump no fim de julho sob a justificativa de retaliação a uma suposta perseguição a Jair Bolsonaro, permanece em vigor. Embora parte dos produtos tenha sido beneficiada, a maioria — incluindo carne bovina e café — continua sujeita à tarifa elevada.

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) afirma que, entre 80 produtos agrícolas contemplados na redução, apenas quatro ficaram totalmente livres de taxas. No café, o contraste é mais evidente: enquanto a tarifa brasileira caiu para 40%, o principal concorrente no mercado norte-americano, a Colômbia, passou a pagar 0%.

“Melhorou para nossos concorrentes e piorou para o Brasil”, resumiu Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Algumas frutas também ficaram de fora da revisão, como a uva, segunda mais exportada pelo Brasil para os EUA.

A redução tem relação com encontros entre Trump e Lula?

Trump afirmou que a medida busca conter a alta dos preços de alguns produtos no mercado americano, como o café. A ordem executiva que reduziu as tarifas não cita países específicos. Ainda assim, Alckmin reconheceu que conversas recentes entre Lula, autoridades brasileiras e membros do governo norte-americano contribuíram para o ambiente de negociação.

Especialistas, porém, apontam que a redução atende sobretudo ao interesse do consumidor norte-americano, gerando benefícios indiretos ao Brasil.

Próximos passos

Alckmin afirmou que o governo seguirá buscando a revisão das tarifas de 40%, consideradas uma “distorção”. Para ele, o foco agora é restabelecer condições mínimas de competitividade, especialmente em setores em que rivais foram mais beneficiados.

Trump, por sua vez, descartou novos cortes por ora: “Não acho que será necessário”, disse a jornalistas.

 

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