A Polícia Federal (PF) encontrou R$ 1,6 milhão na casa de Augusto Lima, diretor e sócio do banco Master preso na manhã desta terça-feira (18) na Operação Compliance Zero, que mirou a venda de títulos de crédito falsos. Além de Augusto, também foi preso o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro e outros três diretores. A informação é dos jornalistas Camila Bomfim e Fábio Amato, do G1.
Um dia antes da operação, o consórcio liderado pelo grupo de investimento Fictor Holding Financeira anunciou uma proposta de compra do Banco Master. Em setembro, o Banco Central rejeitou a aquisição pelo BRB (Banco de Brasília).

Na mesma operação, policiais federais cumprem cinco mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 25 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares diversas da prisão, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal. Segundo a “TV Globo”, sete mandados de prisão foram expedidos no âmbito da operação. Seis pessoas já foram presas.
As investigações tiveram início em 2024, após requisição do Ministério Público Federal, para investigar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Tais títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada. Estão sendo investigados os crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, entre outros.
Na manhã desta terça, o BC emitiu um comunicado decretando a liquidação extrajudicial do Master e a indisponibilidade dos bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição. Com isso, o processo de compra está automaticamente interrompido.
Em depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado nesta terça-feira (18), o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, disse que a Operação Compliance Zero, em torno do Banco Master, investiga fraude de cerca de R$ 12 bilhões. “Nesta operação de hoje a fraude é de R$ 12 bilhões, não sei quanto nós vamos conseguir bloquear”, declarou o diretor-geral em sua fala inicial aos senadores.
Proposta de compra do Master
A prisão de Vorcaro e outros diretores ocorre um dia depois de a Fictor Holding Financeira ter feito proposta de compra do Banco Master. O negócio, liderado pela Fictor e um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos, está sujeito à aprovação do Banco Central e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), disse a Fictor em comunicado.
Em setembro, o Banco Central rejeitou uma tentativa do BRB (Banco de Brasília) de adquirir o Master. Em março, o conselho de administração do BRB aprovou a celebração de um contrato para a compra e venda de ações do Banco Master. Pelo acordo, o banco de Brasília adquiria 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais, passando a deter 58% do capital total da instituição — equivalente a R$ 23 bilhões em ativos — e garantindo participação com direito a voto no conselho de administração.

Para concretizar a operação, o BRB desembolsaria um valor correspondente a 75% do patrimônio líquido do Master. A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) já havia dado aval à transação, sem impor qualquer restrição.
No entanto, o Banco Central decidiu barrar a compra. O principal motivo foi o chamado risco de sucessão, que ocorre quando, em uma aquisição, o comprador pode herdar passivos e responsabilidades do vendedor — mesmo aqueles não incluídos de forma explícita no negócio.
No caso do Banco Master, havia receio de que dívidas e ativos problemáticos que ficassem de fora da operação acabassem, ainda assim, vinculados ao BRB após a aquisição, o que poderia comprometer a saúde financeira da instituição.