Por Cleber Lourenço
O Instituto Palestino de Diplomacia Pública (PIPD), organização independente sediada em Ramallah, lança nesta sexta-feira (28), em São Paulo, a plataforma “Comunicando a Palestina: O poder da narrativa”. O evento será realizado às 19h na Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, na Avenida Paulista.
A iniciativa marca a chegada ao Brasil de um projeto estruturado para disputar narrativas sobre a Palestina e ampliar a compreensão pública do conflito a partir de uma perspectiva palestina — uma frente que, segundo o instituto, ainda sofre apagamentos e distorções em debates internacionais.
O lançamento contará com um painel aberto com o escritor Milton Hatoum e a diretora do PIPD, Rula Shadeed. Ambos devem discutir direitos humanos, colonialismo e os desafios de comunicar a realidade palestina em meios de comunicação tradicionais e digitais. Antes da mesa, a partir das 16h, os participantes estarão disponíveis para entrevistas com a imprensa.

A ação não se encerra na sexta. No domingo (30), a partir das 13h, será realizado o Festival Comunicando Palestina, no Galpão Cultural Elza Soares, no bairro dos Campos Elíseos, em São Paulo. O encontro reunirá artistas, comunicadores e organizações solidárias à causa palestina para celebrar a nova ferramenta.
Criado após anos de pesquisa, grupos focais e consultas com palestinos que vivem tanto na Palestina quanto na diáspora, o Comunicando Palestina foi concebido para consolidar um guia unificado de linguagem, estratégia e abordagem. A proposta central é oferecer instrumentos práticos e teóricos para quem atua na comunicação sobre o tema — de jornalistas e ativistas a educadores, acadêmicos, criadores de conteúdo, trabalhadores humanitários e formuladores de políticas públicas.
Segundo o PIPD, o objetivo é fortalecer “narrativas éticas” sobre a Palestina, explicitar o contexto colonial que estrutura o conflito e garantir que a produção de conteúdo sobre o tema seja guiada por referências palestinas. A plataforma também busca orientar comunicadores a evitar enquadramentos considerados distorcidos ou despolitizados, além de estimular a centralidade das vozes palestinas em debates globais.
O instituto destaca que a ferramenta chega ao Brasil em um momento de forte disputa global por interpretações sobre o conflito e de atenção crescente da sociedade brasileira ao tema. A plataforma, afirmam, pretende atuar justamente nesse espaço de debate público, oferecendo parâmetros e materiais de referência para quem deseja qualificar sua atuação na cobertura ou na defesa dos direitos palestinos.