Por Gabriel Gomes
O assassinato da juíza Patrícia Acioli completa 15 anos nesta terça-feira (11). Morta a tiros em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a magistrada foi vítima de uma emboscada executada por policiais militares do 7º BPM (São Gonçalo). O crime expôs a atuação de agentes públicos envolvidos com práticas criminosas e foi considerado um ataque à independência do Poder Judiciário.
Onze policiais militares foram condenados pelo assassinato e expulsos da corporação.
Para marcar os 15 anos da morte da magistrada, a Cátedra Patrícia Acioli, vinculada ao Colégio Brasileiro de Altos Estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), realiza a 2ª Mostra Patrícia Acioli até quarta-feira (12). O evento será realizado no campus da universidade, no Flamengo, a partir das 10h, com entrada gratuita.
A programação reúne debates, apresentações e atividades culturais sobre temas relacionados à trajetória da juíza, como acesso à Justiça, direitos humanos, violência institucional e defesa da democracia.
“A história de Patrícia atravessa o tempo e chega até nós como compromisso com a vida, com a justiça e com a memória. A Cátedra Patrícia Acioli nasceu e seguirá existindo para manter esse legado vivo”, afirma o antropólogo Luiz Eduardo Soares, coordenador do projeto.
As inscrições para a programação podem ser feitas por meio do formulário disponibilizado pela organização.

Exposição e lançamento de observatório
Entre as atividades está a exposição imersiva “Patrícia”, com curadoria da artista e diretora Bia Lessa. A mostra será aberta ao público entre os dias 10 e 14 de agosto, na Sala dos Espelhos do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ.
A programação também marca o lançamento do Observatório do Feminicídio do Estado do Rio de Janeiro, iniciativa desenvolvida pela Cátedra em parceria com o governo estadual. O projeto pretende reunir e produzir dados sobre feminicídios e contribuir para a formulação e o fortalecimento de políticas públicas de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres.
“Por meio do legado de Patrícia, transformamos memória em ferramenta de justiça. Ela foi além dos limites do gabinete e olhou nos olhos dos territórios. Sua trajetória segue inspirando ativistas, acadêmicos e a sociedade civil na defesa intransigente da justiça, na proteção dos direitos fundamentais e no combate à violência institucional e às violências de gênero”, afirma Miriam Krenzinger, professora da UFRJ e uma das responsáveis pela Cátedra.
Cátedra prepara documentário e biografia
Criada em agosto de 2024 pelo Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ, a Cátedra Patrícia Acioli desenvolve projetos voltados à preservação da memória da magistrada e ao debate sobre Justiça, segurança pública, direitos humanos e democracia.
Entre as iniciativas estão um documentário sobre a vida de Patrícia Acioli, com roteiro e direção do jornalista Humberto Nascimento, uma biografia e um Memorial Multimídia. O projeto reunirá documentos, fotografias, vídeos e entrevistas sobre a trajetória da juíza, assassinada aos 47 anos.
A pesquisa é realizada por Alvaro Ramos, Debora Guimarães e Jade Hodara.
“A pesquisa sobre Patrícia Acioli provoca uma reflexão profunda sobre o exercício da magistratura e o enfrentamento da violência policial, mas, sobretudo, nos faz mergulhar no lado humano de uma mulher que praticou um amor profundo pelo ser humano, cultivou o respeito ao próximo e o acesso à Justiça”, afirmam os pesquisadores.
Também tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei de autoria do deputado federal Tarcísio Motta (PSOL) para incluir o nome de Patrícia Acioli no Livro de Aço dos Heróis e Heroínas da Pátria.
Assassinato
Patrícia Acioli tinha 47 anos quando foi assassinada, em 11 de agosto de 2011. A juíza havia deixado o Fórum de São Gonçalo e seguia para casa, em Niterói, quando foi surpreendida pelos criminosos.
O crime ocorreu após a magistrada atuar em processos envolvendo policiais acusados de crimes e milícias. As investigações apontaram a participação de PMs do 7º BPM no assassinato.
Os 11 policiais denunciados pela morte foram condenados pela Justiça.
