Professores da rede estadual de ensino de São Paulo se reúnem nesta sexta-feira (6), às 16h, no Vão Livre do MASP, na Avenida Paulista, para a Assembleia Estadual organizada pela APEOESP (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo). Durante o encontro, a categoria poderá votar um indicativo de greve caso não haja avanços nas negociações com o governo estadual sobre as reivindicações apresentadas pelos docentes.
Antes da assembleia, o Conselho Estadual de Representantes da entidade realiza uma reunião pela manhã para avaliar o nível de mobilização nas diferentes regiões do estado e discutir propostas encaminhadas pelas subsedes do sindicato. As conclusões desse encontro devem ser levadas à assembleia da tarde, quando professores e professoras decidirão coletivamente os próximos passos do movimento.
De acordo com a deputada estadual Professora Bebel (PT), que também ocupa o cargo de segunda presidenta da APEOESP, a mobilização ocorre em meio a dificuldades enfrentadas pelos profissionais no início do ano letivo. Segundo ela, há registros de demissões, problemas na atribuição de aulas e instabilidade nas escolas da rede estadual.
“Temos professores que ainda enfrentam problemas na atribuição, escolas com instabilidade e uma política que vem tensionando a carreira. A assembleia é o espaço legítimo da categoria para avaliar esse cenário e decidir coletivamente os rumos do movimento”, afirmou Bebel.

Reinvindicações da categoria
Entre as principais reivindicações que serão debatidas pelos docentes estão a aplicação do reajuste do piso nacional no salário-base e na carreira, o fim do abono complementar e o cumprimento correto da jornada prevista na legislação do piso salarial do magistério. A categoria também pretende discutir pautas relacionadas à defesa da escola pública, com críticas a propostas de privatização e militarização de unidades de ensino.
Outro ponto na pauta é o pedido para que a Assembleia Legislativa de São Paulo retire de tramitação o Projeto de Lei 1316/2025, que trata da reforma administrativa da Educação. Os professores também defendem a suspensão de medidas de reorganização escolar, a reabertura de classes fechadas e a devolução do tempo de serviço congelado durante a pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2021.
A garantia de educação especial inclusiva para estudantes com deficiência ou considerados atípicos também integra as reivindicações apresentadas pela categoria. Além disso, os docentes pedem que nenhum professor permaneça sem aulas atribuídas e que todos os estudantes tenham professores em sala.
Segundo Bebel, a valorização do magistério é fundamental para a qualidade do ensino público. “Não é possível falar em qualidade na educação com instabilidade na carreira e fechamento de classes. A valorização do magistério é condição para fortalecer a escola pública”, afirmou.
Após o término da assembleia, os participantes devem seguir em caminhada até a Praça da República, no centro da capital paulista, onde está previsto um ato unificado com representantes do funcionalismo público e movimentos sociais. Ainda no mesmo local, às 18h30, está programada uma apresentação musical gratuita do cantor Chico César em homenagem à educação pública.