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Terremoto: por que acontecem, consequências e principais alertas

Entender suas causas e se prevenir ajuda a reduzir riscos
06/03/2025 | 12h50
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Os terremotos são eventos naturais que podem causar grandes impactos na vida das pessoas e no meio ambiente. Esses tremores de terra ocorrem em diversas partes do mundo, sendo mais comuns em regiões situadas sobre falhas geológicas e limites de placas tectônicas.

Mas por que exatamente eles acontecem? Quais são suas principais consequências? E como podemos nos proteger desses fenômenos? Aqui vamos entender essas e outras questões sobre os terremotos.

O que é terremoto?

Um terremoto, também chamado de abalo sísmico, é um movimento súbito do solo que pode variar de imperceptível a extremamente destrutivo, dependendo de sua intensidade. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), esse fenômeno ocorre devido à liberação repentina de energia na crosta terrestre.

Os terremotos são cientificamente classificados como eventos geológicos e resultam, na maioria dos casos, do deslocamento das placas tectônicas. No entanto, também podem ser causados por atividade vulcânica ou pelo movimento de gases no interior da Terra.

É importante entender que a energia liberada durante um tremor se propaga em forma de ondas sísmicas e é o que faz com que a superfície vibre por alguns segundos ou minutos. De acordo com o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, é esse movimento que sentimos como um terremoto.

Isso significa que, mesmo que não sintamos um terremoto, ele ainda pode estar acontecendo. A percepção humana não define a existência de um abalo sísmico, pois ele ocorre independentemente de ser notado ou não.

Alguns tremores são tão fracos que passam despercebidos, enquanto outros são sentidos a grandes distâncias. Para determinar a intensidade de um terremoto, os cientistas utilizam a Escala Richter – responsável por medir a magnitude do tremor com base na quantidade de energia liberada.

Capa do jornal Zero Hora da edição de 27/12/2004 falando sobre o terremoto de Sumatra. O maremoto foi tão forte que mudou a rotação da terra e encurtou a duração dos dias em alguns microssegundos. Imagem: Agência RBS

Capa do jornal Zero Hora da edição de 27/12/2004 falando sobre o terremoto de Sumatra. O maremoto foi tão forte que mudou a rotação da terra e encurtou a duração dos dias em alguns microssegundos. Imagem: Agência RBS

Escala Richter

A Escala de Richter foi criada em 1935 pelos sismólogos Charles Richter e Beno Gutenberg, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), para medir a força dos terremotos. Os cientistas decidiram testar a hipótese de que existem tremores não perceptíveis e entender sua potência. Assim,desenvolveram um sistema de medição usando um equipamento chamado sismógrafo, que registra os tremores da Terra.

Essa escala vai de 0 a 10 e funciona de forma crescente: a cada ponto a mais, o terremoto se torna dez vezes mais forte. Isso significa que um tremor de magnitude 3,0 geralmente passa despercebido, enquanto um de 6,0 é percebido pelo ser humano e pode causar estragos.

O terremoto mais forte já registrado ocorreu no Chile, em 1960, atingindo 9,5 de magnitude na Escala Richter, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O epicentro foi na cidade de Valdivia, no sul do país – o tremor foi tão intenso que gerou um tsunami que atingiu diversos países ao redor do Oceano Pacífico. Esse desastre deixou cerca de 2 mil mortos e 2 milhões de feridos, sendo considerado o mais perigoso da história.

O maior terremoto documentado até hoje deixou mais de 2 mil mortos e teve 114 km de profundidade. Imagem: Divulgação

O maior terremoto documentado até hoje deixou mais de 2 mil mortos e teve 114 km de profundidade. Imagem: Divulgação

Principais países com risco de terremotos

Os terremotos acontecem quando há um movimento brusco entre as placas tectônicas, que são enormes pedaços da crosta terrestre que se encaixam como um grande quebra-cabeça. Algumas regiões do mundo estão mais propensas a tremores porque estão localizadas sobre ou perto dessas placas e de suas falhas geológicas, onde os movimentos são mais frequentes. Aqui estão os cinco principais países a sofrerem com abalos sísmicos recorrentes:

Japão

O Japão está localizado no Círculo de Fogo do Pacífico, uma área de intensa atividade sísmica. O país experimenta milhares de tremores por ano, e alguns deles podem ser devastadores, como o terremoto de 2011, que causou um grande tsunami e a crise nuclear em Fukushima.

Chile

O Chile também faz parte do Círculo de Fogo do Pacífico, sendo um dos países mais sísmicos do mundo. O maior terremoto já registrado na história ocorreu no país, em 1960, atingindo 9,5 de magnitude.

Indonésia

Outra nação localizada no Círculo de Fogo, a Indonésia frequentemente sofre com terremotos e tsunamis. Em 2004, um tremor de magnitude 9,1 causou um dos tsunamis mais mortais da história, afetando vários países do Oceano Índico.

Estados Unidos

Os EUA, especialmente a Califórnia, são altamente vulneráveis a terremotos devido à Falha de San Andreas, uma das mais estudadas do mundo. O país já enfrentou vários tremores significativos e continua em alerta para um possível “Big One”, um grande terremoto previsto para a região.

México

O México está sobre a convergência de três placas tectônicas: a Placa de Cocos, a Placa da América do Norte e a Placa do Caribe. Por isso, os abalos são comuns, especialmente na região da capital, a Cidade do México.

Ao menos 252 pessoas morreram, 31 estão desaparecidas e mais de 300 ficaram feridas após um terremoto de 5,6 graus atingir a ilha da Indonésia. Foto: ADITYA AJI / AFP

Ao menos 252 pessoas morreram, 31 estão desaparecidas e mais de 300 ficaram feridas após um terremoto de 5,6 graus atingir a ilha da Indonésia. Foto: ADITYA AJI / AFP

Mas e o Brasil?

Muita gente acredita que o Brasil está imune a terremotos, mas isso não é verdade. Embora o país esteja localizado no centro da Placa Sul-Americana, longe dos limites entre placas tectônicas, ainda assim podem ocorrer tremores. Esses sismos geralmente são de menor intensidade e causados por acomodações na crosta terrestre ou falhas geológicas presentes no território brasileiro.

Além disso, o Brasil também está vulnerável a sentir tremores fortes de países vizinhos, como Chile e Peru, por exemplo. Isso acontece porque essas nações estão localizadas no Círculo de Fogo do Pacífico, onde a Placa de Nazca e a Placa Sul-Americana colidem violentamente e causam tremores indiretos.

Um exemplo recente disso aconteceu em 28 de janeiro de 2024, quando um forte terremoto de 7,5 graus na escala Richter atingiu a região central do Chile. O tremor foi tão intenso que pôde ser sentido em várias cidades do litoral brasileiro, especialmente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Local onde ocorreu o terremoto do Chile em 2024 e foi sentido no sul do país. Imagem: Divulgação

Local onde ocorreu o terremoto do Chile em 2024 e foi sentido no sul do país. Imagem: Divulgação

Consequências dos terremotos

Mesmo que os terremotos sejam de baixa intensidade, eles ainda podem causar impactos, principalmente em edifícios e infraestruturas que não foram projetados para resistir a abalos sísmicos. Em casos mais fortes, os terremotos podem causar vários problemas.

As construções podem sofrer rachaduras, canos podem se romper e prédios antigos podem ficar instáveis. Além disso, como a maioria das pessoas não está acostumada com tremores, isso pode gerar medo e levar a evacuações apressadas e desorganizadas. Outro efeito possível é a falta de serviços importantes, como luz, telefone e abastecimento de água.

É importante destacar que esses eventos se referem a tremores de terra (terremotos) e não a atividades sísmicas submarinas, como tsunamis ou maremotos.

A maioria dos terremotos dura apenas alguns segundos, mas os mais intensos podem se estender por vários minutos. Imagem: Reprodução

A maioria dos terremotos dura apenas alguns segundos, mas os mais intensos podem se estender por vários minutos. Imagem: Reprodução

Terremotos e mudanças climáticas

Uma dúvida geral é se as mudanças no clima afetam ou não a incidência de terremotos e abalos sísmicos. O resultado mais próximo que temos é que, apesar de não serem diretamente conectados, terremotos e mudanças climáticas podem se influenciar indiretamente.

Um dos principais fatores é o derretimento de geleiras: com o aquecimento global, o gelo acumulado por milhares de anos está desaparecendo rapidamente em regiões como a Groenlândia e a Antártica. Essa perda de massa altera a pressão sobre a crosta terrestre, permitindo que o solo se ajuste e ocasione pequenos tremores ou até mesmo a reativação de falhas geológicas.

Outro fator a ser considerado é a intensificação de eventos climáticos extremos, como chuvas intensas e tempestades. A infiltração excessiva de água no solo pode desestabilizar encostas e provocar deslizamentos de terra, que, em algumas situações, podem gerar pequenos tremores sísmicos.

Cientistas alertam há anos sobre a possibilidade de um grande terremoto na Califórnia, chamado de "Big One", que poderá ser causado pela falha de San Andreas. Imagem: BBC

Cientistas alertam há anos sobre a possibilidade de um grande terremoto na Califórnia, chamado de “Big One”, que poderá ser causado pela falha de San Andreas. Imagem: BBC

Informações de segurança sobre terremotos

Pensando nisso, é importante entender como se proteger de terremotos, não importa onde você esteja no mundo. Aqui separamos um guia com ações que podem ser tomadas antes, durante e depois do terremoto para você entender, em um cenário geral, como se proteger e se manter em segurança durante um abalo sísmico de alta magnitude:

Antes do terremoto:

  • Monte um kit de emergência com água, alimentos, lanterna, rádio e documentos essenciais.
  • Identifique locais seguros dentro de casa ou no trabalho, longe de janelas e móveis pesados.
  • Fixe móveis e objetos grandes para evitar quedas e conheça as rotas de evacuação.

Durante o terremoto:

  • Abaixe-se, cubra-se e segure-se sob uma mesa resistente até o tremor passar.
  • Não corra para fora de prédios, pois há risco de quedas de estruturas.
  • Se estiver na rua ou dirigindo, fique longe de prédios, árvores e fiação elétrica.

Após o terremoto:

  • Verifique os feridos e preste os primeiros socorros, se necessário.
  • Evite chamadas desnecessárias para não sobrecarregar as linhas de emergência.
  • Fique atento a réplicas e, se estiver em áreas costeiras, preste atenção em eventuais alertas de tsunami.

É assim que você estará preparado para enfrentar um terremoto. E mesmo em regiões onde os tremores são menos frequentes, como no Brasil, é fundamental conhecer medidas de proteção para agir corretamente diante de um abalo sísmico.

É neste panorama que te mostramos como os terremotos são fenômenos naturais imprevisíveis que podem causar impactos significativos. Apesar de serem mais comuns em regiões situadas sobre falhas geológicas e nos limites das placas tectônicas, o nosso país também pode sentir os efeitos indiretos de tremores intensos ocorridos em territórios vizinhos.

Aqui fica a importância de compreendermos como os terremotos ocorrem, suas consequências, cuidados e segurança para aumentar a conscientização e o preparo da população. Afinal, a natureza e seus desafios podem ser imprevisíveis, mas informações de qualidade podem nos ajudar a nos manter seguros em diferentes cenários.

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