Avião que levou França para semifinal foi usado no mesmo dia para deportar imigrantes

Ao desembarcar Mbappe e time francês no Texas, o mesmo jato foi usado pelo ICE para expulsar mexicanos
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Na Copa das contradições, uma história se transforma no símbolo da incoerência dos anfitriões que tentam passar ao mundo uma imagem que simplesmente já não reflete a realidade.

Depois de levar a seleção da França para Dallas, no Texas, onde enfrentaria a Espanha pela semifinal da Copa do Mundo, o avião contratado pelos organizadores dos eventos tinha uma outra missão: deportar uma centena de imigrantes detidos nos EUA.

Para o Mundial de 2026, a Fifa e o Comitê Local fecharam uma parceria com uma empresa aérea especializada em jatos para o translado dentro dos EUA e voos regionais.

Mas menos de uma hora depois de voar de Boston ao Texas para deixar Mbappe e uma seleção repleta de filhos de imigrantes, no último domingo, o mesmo o avião foi usado para levar mexicanos de volta a seu país de origem.

Um dia antes, de fato, o Airbus A320 havia sido usado para deportar imigrantes para a Nicaragua.

A GlobalX, uma empresa de charter, passou a ser usada de forma intensa pelo governo de Donald Trump para operacionalizar sua campanha de deportação.

Nos voos, os passageiros vão acorrentados em seus assentos e, de forma constante, a administração Trump recebe alertas de violações de direitos fundamentais.

Segundo a entidade ICE Flight Monitor, que registra todos os voos realizados pelo governo Trump para deportar imigrantes, o mesmo avião alugado para servir os franceses havia realizado 323 voos para expulsar estrangeiros dos EUA.

De acordo com a instituição, a grande maioria dos voos de imigração dos EUA é realizada pela ICE Air Operations (IAO). A IAO não possui aeronaves próprias e, em vez disso, contrata suas operações por meio da corretora aérea CSI Aviation, que, por sua vez, subcontrata diversas companhias aéreas.

Entre elas estão GlobalX – usada pela Copa do Mundo, além da Eastern Air Express, Eastern Air, OMNI Air e Key Lime Air.

O mês de maio de 2026 registrou um total de 1.925 voos de controle de imigração, um aumento de 10% em relação aos 1.753 voos do mês anterior e um salto de 78% comparado aos 1.083 voos de maio de 2025.

“Embora o número de voos de fiscalização de imigração tenha aumentado de forma constante durante o segundo governo Trump, os totais mensais haviam se estabilizado em grande parte entre janeiro e abril de 2026, antes de voltarem a subir em maio”, disse.

“Esse aumento deve-se, em grande parte, à elevação dos voos de remoção para o México, em meio a uma paralisação quase total das deportações de cidadãos mexicanos pela fronteira terrestre entre os EUA e o México”, explicou.

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