A deputada estadual Janaína Riva (MDB), candidata ao Senado por Mato Grosso e alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, mudou novamente a composição de sua chapa e escolheu dois empresários que aparecem em investigações e processos relacionados a suspeitas de corrupção e desvio de recursos públicos para as suplências.
As alterações foram protocoladas na Justiça Eleitoral na sexta-feira (11). Danilo Berndt Trento (MDB) substituiu Aluízio Lima Pereira (PRD) na primeira suplência, enquanto Rafael Yamada Torres (MDB) entrou no lugar de Ibrahim Zaher na segunda.
Trento ganhou projeção nacional durante a CPI da Pandemia, quando era diretor institucional da Precisa Medicamentos e foi convocado para prestar esclarecimentos sobre as negociações da vacina Covaxin com o Ministério da Saúde. O nome dele voltou a aparecer em investigações da Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
Segundo a Polícia Federal, Trento atuava como operador financeiro do esquema e mantinha relação com o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio de Oliveira Filho.
Já Rafael Yamada Torres é empresário ligado à Trimec Construções e Terraplanagem e filho de Wanderley Facheti Torres. Ele foi alvo de condução coercitiva em uma das fases da Operação Sodoma, que investigou corrupção, desvio de recursos públicos e fraudes durante a gestão do ex-governador Silval Barbosa.
Rafael foi denunciado pelo Ministério Público e responde a processo por organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Em 2017, ele e o pai pediram autorização judicial para devolver R$ 363,7 mil aos cofres públicos.
Mudanças na chapa
A atual composição é diferente da anunciada inicialmente. A primeira suplência havia sido destinada à delegada aposentada Ana Cristina Feldner, que depois foi substituída por Aluízio Lima.
A saída de Feldner provocou uma crise pública. A ex-delegada afirmou que foi substituída sem comunicação prévia e disse ter se sentido “usada, enganada e desrespeitada”. Ela também questionou se a situação poderia configurar violência política de gênero.
Feldner afirmou que aceitou o convite por acreditar nas pautas de defesa e valorização das mulheres apresentadas por Janaína, mas declarou: “A candidata ao Senado, Janaína Riva, não me representa como mulher”.
Histórico político
Janaína é filha do ex-deputado estadual José Geraldo Riva, ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso e alvo de diversos processos judiciais. Ele foi preso em 2014 e voltou à prisão em 2015 durante as operações Ventríloquo e Metástase, relacionadas a investigações sobre desvios de recursos públicos na Assembleia.
Com as novas alterações, a chapa de Janaína chega à reta final de definição com uma composição diferente da apresentada inicialmente ao eleitorado e marcada pela escolha de dois suplentes que têm histórico de investigações e processos judiciais.