Com imigrantes sob tensão, eleição brasileira nos EUA ocorre em igrejas e escolas

Bolsonaro venceu nos EUA em 2022; agora, os brasileiros temem deportação.
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Os brasileiros na região de Boston votarão em escolas e igrejas. Ainda que a iniciativa não tenha sido tomada com base na proteção de imigrantes que estejam irregulares, a esperança das autoridades é que os locais dêem mais segurança contra eventuais ações do ICE contra a comunidade brasileira.

Pelas leis americanas, escolas e igrejas são considerados como santuários e não podem ser invadidos por forças de ordem destinadas a realizar as deportações.

Em 2022, a eleição já ocorreu nesses recintos. Agora, ganham uma importância ainda maior para uma parcela dos brasileiros.

Pelos EUA, onze consulados brasileiros organizarão as eleições para uma população que representa quase 40% de todos os brasileiros no exterior. De maneira informal, autoridades americanas fizeram chegar mensagens ao Itamaraty de que não pensam em realizar operações contra os imigrantes nas regiões de voto.

Mas o medo é constante entre a comunidade brasileira e, em alguns postos diplomáticos, a previsão é de que possa haver uma queda de até 20% no fluxo de eleitores, em comparação aos dados de 2022.

Há quatro anos, foi Jair Bolsonaro que saiu vencedor na contagem geral dos votos dos brasileiros nos EUA. O ex-presidente somou 65% dos votos, 44,5 mil apoios. Contra 34% para Lula.

Diplomatas brasileiros acreditam que o governo de Donald Trump é ciente desse apoio dos brasileiros ao seu candidato preferido para a eleição – Flávio Bolsonaro- e que dificilmente agiria contra os eleitores. Mas o que impera na comunidade de brasileiros é o medo e, entre assumir riscos e ficar em casa, muitos hesitam em tomar uma decisão de ir a um evento com importante aglomeração de estrangeiros.

“Ninguém aqui quer arriscar nada”, afirmou um imigrantes brasileiro na região de Boston. Uma das sessões será na Escola Salemwood, em Malden. A outra será na Paróquia de Saint Tarcisius, em Framingham.

Hoje, 2,3 milhões de brasileiros vivem nos EUA, 40% de toda a população nacional no exterior. Desses, cerca 265 mil estão aptos para votar.

Em Massachusetts, New Hampshire, Vermont e Maine, 68 mil estão aptas para votar em 2026, quase o dobro das 37 mil em 2022.

Em Boston, por exemplo, Bolsonaro somou 75% dos votos em 2022. No consulado em Atlanta, ele teve 74% dos votos. Miami atingiu o maior número de apoio, com 81% dos votos válidos.

Membros de diferentes consulados brasileiros pelos EUA explicaram à reportagem que policiais americanos não serão autorizados a permanecer dentro dos locais de votação. Mas, mesmo sem qualquer indicação de que uma operação possa ocorrer, o temor da comunidade é de que, sabendo do fluxo de brasileiros no domingo, o ICE atue nas redondezas para prender as pessoas que estiverem em situação irregular.

Para monitorar eventuais operações de prisões no domingo, diplomatas ficarão em contato com grupos da sociedade civil que monitoram a situação dos imigrantes. Se houver qualquer indício de uma ofensiva do ICE, haverá uma disseminação da informação aos brasileiros.

Pelo mundo, o número de eleitores brasileiros aptos a votar cresce de forma exponencial e, em apenas quatro anos, a alta foi de 32%. Para este ano, são mais de 918 mil, um volume superior aos estados de Roraima (401,5 mil), Amapá (577,5 mil) e Acre (614,4 mil).

No total, o TSE enviou as urnas eletrônicas para 186 cidades de 134 países. Além dos EUA, Portugal, com 134,8 mil eleitores inscritos, e Japão, com 88,4 mil, são os maiores colégios eleitorais de brasileiros no exterior.

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