Por Isadora Albernaz
(Folhapress) – O Brasil irá às urnas com um eleitorado mais velho em 2026, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) divulgados nesta segunda-feira (20). Ao todo, serão 158,7 milhões de brasileiros aptos a votar. Desses, 37,5 milhões têm 60 anos ou mais.
Enquanto o eleitorado geral cresceu apenas 1,5%, a faixa etária que compreende os idosos avançou de 21% para 23,6% do total. Na contramão, a quantidade de pessoas de 21 a 34 anos que poderão participar do pleito caiu de 43,8 milhões para 41 milhões, o que representa 25,8% do total.
Em termos reais, serão 2,3 milhões de eleitores a mais desde o último pleito geral, quando cerca de 156 milhões estavam aptos a escolher o presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais (ou distritais, no caso de Brasília).
O prazo para tirar o primeiro título de eleitor, transferir o domicílio eleitoral e regularizar pendências na Justiça Eleitoral terminou em 6 de maio. Desde então, a corte eleitoral, sob comando do ministro Kassio Nunes Marques, organizava os dados. A última atualização dos números foi em 18 de julho.
As eleições deste ano devem ser marcadas pelo embate direto entre o presidente Lula (PT), que tenta seu quarto mandato inédito, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que conta com o espólio político do pai em prisão domiciliar, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para se eleger ao cargo pela primeira vez.

O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro. Se houver necessidade, como já indicam levantamentos, o segundo turno para a Presidência e os governos dos estados está marcado para 25 de outubro. Já senadores, deputados federais e estaduais são eleitos em uma única votação.
Segundo o TSE, o Norte teve a maior alta proporcional no número de eleitores desde o último pleito geral, com avanço de 4,37%. Passou de 12.560.410 pessoas aptas a votar para 13.109.354 –mais de meio milhão.
Região mais populosa do país, o Sudeste tem 66,3 milhões de eleitores aptos a votar, registrando uma leve queda de 0,56%. São Paulo tem 21,48% do eleitorado nacional (34,1 milhões), enquanto Minas Gerais (16,4 milhões) segue como o segundo maior colégio eleitoral. Os dois são estados-chave na disputa presidencial, já que as candidaturas ao governo local têm a capacidade de puxar votos aos postulantes.
O palanque mineiro de Lula foi formalizado nesta segunda. O deputado federal Patrus Ananias (PT) foi anunciado o candidato do partido, após o “plano A”, com o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB), e o “plano B”, com a ex-prefeita de Contagem e pré-candidata ao Senado, Marília Campos (PT), não vingarem por recusa de ambos.
Já a situação de Flávio no estado ainda está indefinida. Como mostrou a Folha, o PL avançou em tratativas e aguarda só a decisão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) sobre concorrer ao governo para anunciar uma aliança em Minas.
A campanha começará em menos de um mês, em 16 de agosto. Os partidos terão até a véspera da data, no dia 15, para registrar as candidaturas junto à Justiça Eleitoral. As convenções partidárias, evento onde é formalizado quem serão os nomes que representarão as legendas no pleito, têm início nesta segunda e vão até 5 de agosto.
Segundo a Constituição Federal, o voto é obrigatório no Brasil só para maiores de 18 anos. Para adolescentes de 16 e 17 anos, analfabetos e idosos acima de 70 anos, a ida às urnas é facultativa.
Pesquisa Datafolha publicada no fim de junho mostra que Lula e Flávio têm, respectivamente, 47% e 43% das intenções de voto em um eventual segundo turno, enquanto brancos e nulos somam 8%. Já em um cenário com outros candidatos, o petista mantém a vantagem e marca 41% ante 31% do bolsonarista.
Foram ouvidas presencialmente 2004 pessoas de 16 anos ou mais em 139 municípios de 17 a 18 de junho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O número de registro no TSE é BR-09956/2026.
Do total de cerca de 158 milhões, a maioria (52,84%) é de mulheres, parcela que permaneceu praticamente estável. Em termos absolutos, elas são 83,9 milhões e devem ser um dos eleitorados decisivos nestas eleições. Os principais candidatos à Presidência já preparam estratégias mirando conseguir o apoio do grupo.