A Polícia Federal acredita que os dirigentes do Banco de Brasília (BRB) cometeram gestão fraudulenta da instituição, informou o g1, nesta terça-feira (18). Os investigadores apontam que, com o apoio do governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), o BRB tentou comprar o Banco Master, mas a operação foi barrada pelo Banco Central.
De acordo com a TV Globo, o Ministério Público Federal identificou “indícios de participação consciente dos dirigentes do BRB no suposto esquema fraudulento engendrado pelos gestores do Banco Master”. A decisão diz que o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Master, entre 2024 e 2025.
“Ocasionado prejuízos à higidez do Sistema Financeiro Nacional, e principalmente à própria instituição por eles administrada, havendo indícios de cometimento por parte dos gestores do BRB do crime previsto no artigo 4° da Lei 7.492/86”, disse o MP sobre os dirigentes dos bancos.
O crime do qual o MP se refere é o de “gerir fraudulentamente instituição financeira”, que é um atentado contra o sistema financeiro nacional, com pena prevista de 3 a 12 anos de prisão e multa.

BRB: Crédito fantasma
Segundo o documento do MPF, o Banco Master teria comprado cateiras de crédito da empresa “Tireno”., contudo, os pagamentos não teriam sido efetuados, pois não foi confirmada a existência do crédito. O Banco Master também teria revendido esses mesmos créditos ao BRB, recebendo R$ 12,2 bilhões por eles. O valor incluiu R$ 6,7 bilhões pelas carteiras e R$ 5,5 bilhões como “prêmio”.
Apesar de ter desfeito o negócio — só depois dos 12,2 bilhões já terem sido despositados –, o BRB seguiu transferindo recursos para o Banco Master por conta de outros créditos bancários.
“Importa registra que, consoante resumo de operações realizadas entre Master e BRB, apenas entre os meses de julho de 2024 e 3/10/2025, foram transferidos ao grupo Master o correspondente a R$ 16.717.138.715,05 pelo BRB”, diz o MPF no documento.
O Banco Central ainda revelou que o BRB recebeu outros R$ 4 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master, entre maio e abril deste ano, e pagou os respectivos prêmios à instituição.
O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, sofreu um afastamento de 60 dias do seu cargo, enquanto Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso nesta segunda-feira (17), enquanto tentava fugir para Malta, na Europa.