Burnout: Nova norma obriga empresas a informar riscos de estresse no trabalho

A medida, que entra em vigor em maio obriga empresas a adotar procedimentos para gerenciar a saúde mental dos funcionários
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Uma nova medida do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) irá obrigar empresas brasileiras a aplicar medidas que identifiquem e reduzam fatores que possam afetar a saúde mental dos funcionários como sobrecargas, burnouts, assédios, e ambientes estressantes. A norma passa a valer a partir do dia 26 de maio, e é fruto da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata da saúde e segurança no trabalho.

A mudança irá exigir que as empresas tenham um Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Esse programa será responsável por avaliar os ambiente de trabalho, identificando e controlando os riscos do cargo, numa tentativa de evitar que os funcionários desenvolvam qualquer tipo de doença relacionada ao trabalho.

Até a atualização da norma, as empresas não tinham a obrigação de fazer uma avaliação do PGR. Agora, esse documento, elaborado pela própria empresa, deve conter a análise dos riscos identificados e ficar disponível para fiscalização do Ministério do Trabalho a qualquer momento, explica Marcos Mendanha, médico do trabalho.

A especialista em neurociência, Marina Mezzetti, acredita que para que a nova norma seja efetiva, ele ser vista como uma oportunidade para transformar a cultura da empresa.

Burnout pode causar exaustão emocional, despersonalização e baixo sentimento de realização (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A NR-01 não especifica quais mudanças devem ser aplicadas para avaliar os riscos psicossociais, mas Mezzetti sugere as seguintes:

  • Psicosegurança e regulação emocional: cria um local de trabalho onde os funcionários possam se sentir seguros para compartilhar dúvidas e apontar riscos, sem que haja possibilidade de represálias.
  • Programa de recompensa: um ambiente em que haja um sistemas de recompensa e reconhecimento para boas práticas é imprescindível para que os funcionários adiram voluntariamente.
  • Treinar lideranças: líderes treinados e com preparo emocional tem mais capacidade para atuar como modelos de comportamento.

Apesar da iniciativa, Mendanha acredita que a medida tenha brechas, e alerta para o risco das empresas adotarem avaliações superficiais sem metodologias robustas.

“A norma determina a necessidade de avaliar riscos psicossociais e não detalha como deve ser feito. Uma boa avaliação envolve o uso de ferramentas validadas, como questionários respondidos pelos próprios trabalhadores. É essencial garantir que eles tenham confiança de que é sigiloso e não será usado contra eles”, conta.

Exaustão do burnout

A síndrome do esgotamento profissional, mais conhecida como síndrome do burnout, é um estresse crônico causado pelo alto desgaste no trabalho, no qual geralmente se carateriza se caracteriza por três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e baixo sentimento de realização.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) reconhece a síndrome do burnout como um problema grave na sociedade contemporânea, e em janeiro deste ano, passou a classificar a doença como questão de saúde pública no Brasil, além de ser incluída na lista de doenças ocupacionais.

Para o Ministério da Saúde, a síndrome de burnout é um distúrbio emocional, que tem, como principais sintomas, o estresse, o cansaço extremo e o esgotamento físico.

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