ONU prevê sucessivos recordes de temperatura até 2030

ONU afirma que onda registrada ainda na primavera no hemisfério norte deve servir de "lembrete brutal" dos impactos da crise climática
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Nesta semana, ao entrar ao vivo na programação do ICL Notícias, um problema técnico desligou minha conexão. O problema não foi a rede de celulares na Suíça. O problema era o sol e o calor de mais de 34 graus Celsius. O aparelho não suportou a elevada temperatura.

Longe de ter sido um caso isolado, o que vivi foi o resultado de uma onda de calor que colocou maio de 2026 como o mês de maio mais quente jamais registrado no continente. Mais um recorde para uma década que já se acostumou a momentos inéditos.

Num novo informe publicado nesta quinta-feira (28), a ONU alertou que os próximos cinco anos continuarão a ver uma alta das temperaturas no mundo.

Entre 2026 e 2030, pelo menos um ano baterá o recorde de temperatura no mundo que havia sido estabelecido em 2024.

De acordo com o levantamento, os onze anos mais quentes da história foram registrados desde 2015.

Em regiões da Alemanha, as autoridades passaram a pedir aos habitantes que evitem regar plantas e encher piscinas. Na Itália, algumas cidades anunciaram a proibição de trabalhos ao ar livre.

Na Espanha, as noites de primavera passaram a ter temperaturas de verão. O país deve registrar as temperaturas mais altas da onda de calor no final desta semana, com algumas áreas podendo chegar a 40 °C, apesar de o verão ter data para começar apenas em um mês. Em Portugal, o temor do governo é de que fogos se espalhem.

Na França, as temperaturas chegaram a 36 °C na segunda-feira, e terça-feira se tornou o dia mais quente de maio já registrado, com o país experimentando temperaturas de 10 °C a 15 °C acima da média para esta época do ano, segundo a Météo-France.

A capital, Paris, já havia registrado sua primeira temperatura acima de 30 °C do ano no sábado, atingindo 31,9 °C.

No domingo, um homem morreu durante uma corrida de 10 quilômetros na cidade, informou a Defesa Civil, embora ainda não tenha sido determinado se o calor foi a causa da morte. Uma mulher em Lyon também morreu de insolação após uma corrida competitiva. No total, sete pessoas morreram.

Londres registrou 35,1 °C na terça-feira, muito acima do recorde anterior para maio, de 1944. Temperaturas recordes também foram registradas na Irlanda por uma enorme margem de mais de 2 graus.

O número de “dias muito quentes”, definidos como aqueles em que a temperatura ultrapassa os 30 °C, mais do que triplicou na última década em comparação com a média de 1961-1990. Um relatório divulgado na semana passada pelo Comitê de Mudanças Climáticas do Reino Unido alertou que o país foi “construído para um clima que não existe mais”.

Entre os especialistas, o alerta é para o sinal que essa onda manda. Na França, as temperaturas são “completamente sem precedentes e históricas” para o mês de maio, afirmou o meteorologista Adrien Warnan, da Météo-France.

Para Simon Stiell, secretário-executivo da agência climática da ONU, o que está acontecendo na Europa deve servir de alerta.

“Esta última onda de calor na Europa é um lembrete brutal dos impactos crescentes da crise climática, tanto humanos quanto econômicos”, disse Stiell em um comunicado na quarta-feira. “O principal culpado é o vício mundial em queimar carvão, petróleo e gás, e destruir florestas”, insistiu.

“Esta onda de calor, impulsionada pelas mudanças climáticas, representa um duplo risco, em um momento em que a recente guerra no Oriente Médio está mostrando os custos exorbitantes da dependência das importações de combustíveis fósseis”, disse o chefe da ONU, numa referência ao aumento dos preços do petróleo e do gás devido ao prolongado bloqueio do Estreito de Ormuz.

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