A deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PL) segue liderando o racha contra Carlos Bolsonaro na pré-candidatura ao Senado por Santa Catarina. Ela se manifestou, no fim de semana, mantendo o discurso de que o filho do ex-presidente atrapalha o partido e mina as ambições da deputada federal Caroline de Toni, cada vez mais fora da legenda.
O partido, que é dirigido regionalmente pelo governador Jorginho Mello, vive uma divisão sem precedentes. A chegada de Carlos compromete alianças do governador e a ascensão de De Toni em seu projeto ao Senado. O PL se divide entre aqueles que pregam lealdade ao ex-presidente e aqueles que prezam pela autonomia local.
“Carol disse que gostaria de chapa pura, mas também disse que recebeu o governador em casa e ele disse que essa possibilidade não existe. Logo, ela começou a negociar com outros partidos”, explicou. “Isso tudo foi o que eu sempre disse. Carlos entrou, Carol foi afetada”.

Ana tem explicado os desenhos pré-eleitorais aos seus seguidores e arregimentado fãs e haters pela estratégia arriscada de minar a candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que a chamou de mentirosa. A deputada, muito popular e em seu segundo mandato, também foi chamada de desleal por Eduardo Bolsonaro. Já Caroline de Toni está em licença maternidade.
“A chance que ela (De Toni) tem de se candidatar ao Senado pelo nosso PL22 acontece apenas se todas as lideranças partidárias mudarem de opinião e lançarem chapa pura ou se o Carlos retirar seu nome”, pressionou. A chapa pura é avaliada como um risco pela direção do partido, já que jogaria possíveis coligações nos braços de um outro pré-candidato da direita, o prefeito de Chapecó, João Rodrigues.
Por outro lado, Carlos Bolsonaro construiu sua própria estratégia e segue reverberando nas redes, à revelia das decisões partidárias. Ao compartilhar o resultado de uma pesquisa que projeta Caroline de Toni como primeira colocada na intenção de voto, com ele em segundo, voltou a defender uma dobradinha entre os dois. A defesa, no entanto, mina a estratégia de Jorginho Mello e o coloca em uma saia justa com Esperidião Amin.
Amin tem se mantido calado e não fala com a imprensa sobre a crise. Político experiente, diz a pessoas próximas que está “jogando parado” e aguardando as decisões do PL, já que esta é uma questão que compete ao partido.
No final de semana, Carlos Bolsonaro cumpriu agenda em cidades do interior de Santa Catarina, passando pelo Oeste e também pelo Norte. Em Jaraguá do Sul, participou da festa do tiro, a Schutzenfest, e abriu a pauta da “legítima defesa” nas suas redes. Nas agendas, nenhuma figura política de peso dividia as atenções com o filho do ex-presidente. Coincidência ou não, o governador Jorginho Mello estava no extremo-sul, na região oposta à do recém-chegado.