Colunista do ICL Notícias, Luís Costa Pinto falou, no Desperta ICL desta terça-feira (18), sobre a prisão de Daniel Vorcaro e Augusto Lima, donos do Banco Master, pela Polícia Federal. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, que combate a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional.
Luís Costa Pinto revelou as ligações políticas de Daniel Vorcaro, principal acionista do Banco Master com o mundo político. Segundo o jornalista, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, e o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), são os principais “amigos” de Vorcaro na política.
“Vorcaro tem um laço muito estreito e muito grande com organizações políticas em Brasília e na operação federal. Os maiores amigos dele na política são Ciro Nogueira, presidente do PP, Antonio Rueda, presidente do União Brasil e Arthur Lira, ex-presidente da Câmara”, disse Luís Costa Pinto.

Em março, o conselho de administração do BRB havia aprovado um contrato de compra e venda de ações do Banco Master. A instituição de Brasília iria adquirir 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e, consequentemente, 58% do capital total do Master, o equivalente a R$ 23 bilhões em ativos.
“Vorcaro, muito próximo desses três (Lira, Nogueira e Rueda), precisando salvar o banco dele, recorreu este ano, quando estava claro que o Banco Master estava quebrado, a um pedido de socorro ao governo do DF. O GDF mantém um dos últimos bancos estatais não federais, o BRB, que foi alavancado nessa gestão do Ibaneis Rocha”, explica o jornalista Luís Costa Pinto.
“O BRB virou o braço financeiro desse capitalismo de compadrio em Brasília. Qualquer pessoa que queira investir no ‘mercado privado’ vai buscar auxílio financeiro no BRB, que dá aquele suporte para o investimento, mesmo quando não tem fundos. Foi assim na privatização de toda área do estádio Mané Garrincha, do Centro de Convenções Ulisses Guimarães, do Autódromo de Brasília. É assim na manutenção dessa estrutura que traz grandes shows para Brasília e em todos os processos de licitações no DF. Tudo passa pelo suporte financeiro do BRB”, completa.
No Desperta ICL, Costa Pinto afirmou que a operação da PF desta terça-feira “pode colocar luz nesses porões que unem política e gestão de recursos privados e públicos nesses bancos de investimento”. “O Banco Master se alavancou vendendo CDBs a 150/120% do CDI, que é uma taxa de retorno quase impossível de ser cumprida por um gestor financeiro, obviamente há traços de corrupção e gestão temerária dessa operações financeiras. Ele vendeu um volume muito alto de CDBs, que chega a colocar em risco o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que é um fundo público, com dinheiro dos bancos de investimento, para assegurar o retorno, até o limite, do capital do cidadão e cidadã que tem esse dinheiro investido no mercado em CDBs”.
“A operação sozinha do Banco Master comprometia até 60% desse fundo. No ano passado, ele começou a trocar ativos que garantiam esses empréstimos, que eram considerados ativos podres. Ele começou a ser investigado por gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa. O principal controlador é o Daniel Vorcaro”, prosseguiu Luís Costa Pinto.
‘Ciro Nogueira levou Vorcaro para dentro do governo do DF’, diz Costa Pinto
Costa Pinto revelou que a articulação para a proposta de compra do Master pelo BRB partiu de Ciro Nogueira, que levou Daniel Vorcaro “para dentro do GDF( Governo do DF), comandado por Ibaneis Rocha (MDB). A ideia era evitar a liquidação judicial do Master, decretada nesta terça-feira pelo Banco Central.
“O Ciro Nogueira levou o Daniel Vorcaro para dentro do GDF e sugeriu que a operação de salvamento do Banco Master fosse feita pelo BRB, que é menor do que o Master e é estatal. O BRB se posicionou e anunciou para o Banco Central que compraria o Master, em uma operação que levantou suspeitas em todo o mercado. Depois de 6 meses, o BC disse que ‘olha, não pode’, ‘se isso acontecer, quem vai acabar pagando a conta é o dinheiro público’. O Vorcaro, então, entrou em pânico e foi ao mercado buscar novos sócios que conseguissem manter a operação do Master de pé, sem que houvesse a liquidação extrajudicial”, disse Costa Pinto

“Com o banco liquidado, o Vorcaro e todos os sócios controladores e conselheiros entram com seus patrimônios privados para conter o rombo que eles produziram no mercado. Ele tentava fugir disso. Eles estão impedidos de operar no mercado para sempre, até que se encerre as investigações, a determinação de culpas e o ressarcimento aos cofres públicos”, completou.
“Eles fizeram ontem a noite uma operação diversionista para fugir dessa liquidação e não deu certo porque já tinha a PF nas ruas. A PF que a turma da extrema direita, do Ciro Nogueira, do Lira, do Derrite, do Tarcísio de Freitas tenta enfraquecer nesse PL Antifacção. O Banco Master também está sendo investigado por organização criminosa, tudo isso vai emergir no centro desta investigação. Estamos diante talvez da mais relevante liquidação extrajudicial desde o caso célebre do Banco Marka-FonteCindam. O Daniel Vorcaro se torna esse ator financeiro com esse tamanho e ousadia sob a vigência das regras do Banco Central do governo Bolsonaro e ali, o BC fez vistas grossas às fragilidades financeiras o Banco Master”, prosseguiu.