Chico Pinheiro: uma trajetória de paixão e compromisso a serviço do bom jornalismo

Quem é Chico Pinheiro? Conheça a história do jornalista que, com mais de 50 anos de carreira, segue conquistando o público com seu compromisso e carisma
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Por Iago Filgueiras*

Chico Pinheiro é considerado uma das figuras mais respeitadas e carismáticas da televisão brasileira. Com uma trajetória de mais de 50 anos na imprensa — grande parte na TV — ele se destacou pelo estilo único, marcado pelo carisma, credibilidade e compromisso com um jornalismo de qualidade.

Nascido em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, em 1953, Francisco de Assis Pinheiro foi com 3 meses de vida para Belo Horizonte, Minas Gerais, onde viveu até os 38 anos. É filho do topógrafo e ex-vereador Antônio Oscar Pinheiro e da professora Ester Gontijo Melo Pinheiro, já falecidos.

A simpatia não define um bom jornalista, mas pode ser um ótimo adicional. Ao longo da vida, Chico parece ter encontrado espaço, em meio ao caos do mundo, para sugerir que a vida pode ser boa, apesar dos pesares. Seu bordão “Graças a Deus, hoje é sexta-feira: é vida que segue!”, resume isso muito bem.

Nos mais de 50 anos de trajetória, Chico Pinheiro trabalhou em jornais impressos, em rádio e televisão. Foi repórter, apresentador, chefe de reportagem e âncora de telejornal. Atualmente, comanda o Chico Pinheiro Entrevista, atração do ICL Notícias, no qual, além de conversar com os entrevistados, busca promover a reflexão coletiva. Sobre questões de justiça social e política.

Como Chico Pinheiro chegou ao jornalismo?

Chico Pinheiro nem sempre sonhou com o jornalismo. Em 1970, prestou vestibular para engenharia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Mas o interesse em questões políticas e sociais falou mais alto e, apaixonado pela língua portuguesa e história, viu no jornalismo um caminho mais promissor. Entrou na PUC-MG e, por alguns anos, conciliou duas graduações e um emprego, abrindo mão da engenharia somente no último ano de curso.

Primeiros aprendizados no jornalismo

Em 1971, já no primeiro ano da faculdade de comunicação, Chico conseguiu um estágio no jornal Diário de Minas, sediado na capital mineira.

No começo, foi para a editoria Geral, mas logo depois foi parar no Esporte, cobrindo o Cruzeiro em Belo Horizonte. Como torcedor apaixonado do Atlético Mineiro, essa não era a posição mais confortável, mas enxergou ali um desafio: aprendeu que, no jornalismo, o coração e a pauta precisam se distanciar.

Pouco tempo depois, tomou uma decisão: trancou a graduação por quase um ano e foi fazer parte do Projeto Rondon, programa criado pela ditadura militar sob a justificativa de aproximar os estudantes das comunidades rurais. Mas, os militares queriam mesmo era esvaziar o movimento estudantil nos grandes centros urbanos.

Mas, ao invés disso, enxergou na proposta uma oportunidade de ir contra os interesses do regime. Viajou para Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, achando que ia levar mais consciência social àquelas pessoas.

Mas foi ali, em campo e longe da redação — inspirado nos livros de Paulo Freire — que aprendeu uma das maiores lições do jornalismo. Chegou na comunidade cheio de certezas e vontade de ensinar, mas descobriu que precisava, antes de tudo, ouvir. Para ele, transformar o Brasil exige muito disso: compromisso com a escuta, diálogo e reflexão coletiva.

Chico Pinheiro, ainda jovem, pôde entrevistar o patrono da educação brasileira e referência mundial na área da educação, Paulo Freire. Foto: arquivo pessoal / Chico Pinheiro
Chico Pinheiro, ainda jovem, pôde entrevistar o patrono da educação brasileira e referência mundial na área da educação, Paulo Freire. Foto: arquivo pessoal/Chico Pinheiro

50 anos de carreira, 50 anos de jornalismo

Se você acha que Chico Pinheiro sempre sonhou em fazer carreira na televisão, está enganado. Durante a graduação, atuou como repórter na sucursal mineira do Jornal o Brasil, sob a chefia de Eduardo Simbalista que, mais tarde, ao assumir um cargo na Globo Minas, convidou Chico para ser chefe de reportagem na emissora.

No começo, relutou em aceitar o convite. Mas, ao assumir o cargo de chefe de reportagem, decidiu tentar um caminho diferente: forçar os limites e fazer um jornalismo comprometido e relevante na televisão brasileira.

A versatilidade sempre foi uma marca de sua trajetória. Entre idas e vindas, Chico Pinheiro trabalhou 32 anos na TV Globo, mas também atuou na Band, na Rádio CBN e na Record, onde foi diretor de jornalismo. Fora do ar, fez um curso de extensão na Espanha, voltado para jornalistas latino-americanos.

Além disso, foi professor concursado da UFMG e trabalhou também na Secretaria de Saúde de Minas Gerais como chefe de gabinete. No cargo, Chico acompanhou de perto a criação do SUS. Após essa experiência, também foi superintendente na Secretaria de Cultura do Estado de Minas Gerais.

Chico Pinheiro na bancada do Jornal Nacional, em 1999. Foto: reprodução
Chico Pinheiro na bancada do Jornal Nacional, em 1999. Foto: reprodução

32 anos de Rede Globo

Foi em 1976, que Chico Pinheiro aceitou um cargo no jornalismo televisivo pela primeira vez e começou a trabalhar na Globo. Como chefe de reportagem na Globo Minas, não aparecia na frente das telas. Coordenava as equipes de repórteres, distribuía tarefas e acompanhava o andamento das reportagens. Até que um dia teve que ir para o estúdio, para uma longa entrevista com Ulysses Guimarães.

Ao longo da carreira, Chico também acompanhou as diversas mudanças pelas quais passou a televisão brasileira. Trabalhou em uma época em que câmeras de filmagem usavam filmes e. Muitas vezes, não captavam áudio. Por isso, o som era gravado em outros equipamentos, e fazer a reportagem ir ao ar dava muito trabalho.

No mesmo período, embora a televisão em cores já existisse, os laboratórios que revelavam filmes coloridos ficavam em São Paulo e no Rio de Janeiro. Como as câmeras de vídeo, assim como as fotográficas, também usavam filmes para gravar as imagens, as reportagens locais, como as de BH, eram frequentemente exibidas em preto e branco.

Em 1980, com a possibilidade de fazer uma especialização na Espanha, Chico pediu demissão do cargo. Um ano depois, voltou ao Brasil e foi novamente contratado pela Globo Minas, dessa vez, como repórter do Jornal Nacional e outros telejornais em rede nacional.

Chico Pinheiro foi repórter da Globo Minas, de 1981 a 1983. Foto: reprodução/Globo
Chico Pinheiro foi repórter da Globo Minas, de 1981 a 1983. Foto: reprodução/Globo

Chico Pinheiro saiu da emissora novamente em 1983, quando foi aprovado em um concurso para ser professor da UFMG. Ficou na docência por poucos anos e, depois, foi trabalhar em outras emissoras como a TV Bandeirantes e a Record.

Na Band, foi chamado para cobrir a visita do Papa João Paulo II ao Brasil, em 1991. Na ocasião, Chico precisou ir temporariamente para São Paulo. No começo, achava a cidade cinza demais, mas com o tempo, se apaixonou pela efervescência paulistana e fixou residência na capital paulista. Já na cidade, voltou à Globo em 1996, contratado como apresentador do Bom dia Brasil, Bom Dia São Paulo e do Jornal CBN, na Rádio CBN, onde ficou por dois anos.

Além disso, às vezes era escalado para apresentar o Jornal Nacional e o Jornal da Globo. Mais tarde, se tornou também apresentador do SPTV – 1ª Edição, telejornal comunitário voltado para a Região Metropolitana de São Paulo.

No tempo em que esteve à frente do Bom Dia Brasil, foi responsável por desejar um bom começo de semana e saudar o merecido descanso do final de semana para milhões de brasileiros. “Coragem! Hoje é segunda-feira!” e “Graças a Deus, hoje é sexta-feira: é vida que segue!” tornaram-se bordões conhecidos de sua carreira na televisão brasileira.

Chico Pinheiro esteve à frente do Bom Dia Brasil por mais de uma década. Foto: divulgação/Globo
Chico Pinheiro esteve à frente do Bom Dia Brasil por mais de uma década. Foto: divulgação/Globo

Chico Pinheiro também trabalhou na GloboNews, canal televisivo com 24 horas de conteúdo jornalístico. De 1998 a 2020, apresentou o Espaço Aberto e o Sarau, programas voltados para a música brasileira. Gravou mais de 500 programas como os maiores nomes da música nacional.

Além dos telejornais e programas de entrevista, na TV Globo Chico também comandou por 20 anos a transmissão dos desfiles do Carnaval de São Paulo. Ficou conhecido pelo jeito irreverente, amor pelo samba e pela cultura brasileira. Por três anos, ancorou um estúdio de entrevistas do Carnaval do Rio de Janeiro, direto do sambódromo.

Durante os 32 anos em que esteve na emissora, Chico Pinheiro marcou presença em quase todos os programas jornalísticos da casa. Em 2022, o jornalista e a emissora encerraram, em comum acordo, a parceria que durou décadas. Mas se você pensa que Chico decidiu dar uma pausa, se enganou. Ele continua ativo, firme na defesa do bom jornalismo.

Momentos marcantes

Além da bancada do telejornal, Chico também protagonizou reportagens, entrevistas e momentos marcantes da história brasileira.

Na época em que trabalhou em órgãos públicos, Chico Pinheiro foi requisitado para se tornar chefe de gabinete do secretário estadual de saúde de Minas Gerais. Nesse período, o jornalista pôde acompanhar de perto as ações e políticas que, mais tarde, viriam a se tornar o Sistema Único de Saúde (SUS), um marco na luta pela democratização do acesso à saúde no país.

Chico participou de várias reuniões com figuras importantes desse momento, como o então ministro da Saúde, Carlos Santana; da Previdência, Waldir Pires, do extinto Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps), Hésio Cordeiro, e o presidente da FioCruz, Sérgio Arouca.

Em 1979, como chefe de reportagem e em plena ditadura militar, Chico Pinheiro foi responsável pela condução e exibição, pela primeira vez, de uma entrevista com então líder do MDB, Ulysses Guimarães, o único partido de oposição permitido na época.

Na manhã seguinte ao atentado do Riocentro — tentativa de explosão de uma bomba em um show musical do Dia do Trabalhador —, Chico entrevistou o então ministro da Justiça, Ibrahim Abi-Ackel. Na ocasião, o entrevistado atribuiu a autoria do atentado a militares “radicais”. Por conta da censura vigente no período. A entrevista, censurada, nunca foi ao ar.

A cobertura de Chico Pinheiro durante o impeachment de Fernando Collor, enquanto trabalhava na Band, rendeu a ele um Prêmio APCA, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte. Ele ainda foi agraciado com o prêmio outras duas vezes: como Melhor Apresentador, no Jornal da Band e,  como Melhor Telejornal, dessa vez pelo trabalho à frente do telejornal matinal SPTV, transmitido pela Globo SP.

Nos anos 2000, o jornalista foi procurado por Nicéia Camargo do Nascimento, mais conhecida como Nicéia Pitta, ex-esposa do então prefeito de São Paulo, Celso Pitta. Em entrevista, ela revelou detalhes sobre um extenso esquema de corrupção na administração pública paulista, caso que ganhou repercussão nacional.

Jornalismo, amor e música

Chico respira jornalismo e, em sua carreira, paixões pessoais e o amor pela notícia sempre se aproximaram.

Apaixonado por música e grande fã de MPB, na década de 1980 trabalhou durante dois anos na Produtora Quilombo, responsável pela carreira de Milton Nascimento, onde ficou por dois anos. Além disso, no tempo em que esteve à frente de atrações culturais na GloboNews, entrevistou nomes como Maria Bethânia, Adélia Prado, Paula Toller e as bandas 14 Bis, Biquíni Cavadão e Roupa Nova.

Chico também nunca escondeu sua paixão pela música brasileira. Por mais de duas décadas, participou da transmissão oficial do Carnaval de São Paulo. O amor pela festa lhe rendeu o título de “Sambista Imortal”, concedido pela Mocidade Alegre em 2024. Foi considerado também Cidadão Mangueirense, título concedido pela escola de samba Estação Primeira de Mangueira, o qual carrega “com muito orgulho”, afirma.

Chico Pinheiro nunca escondeu a paixão pelo Carnaval, entregando entretenimento e paixão durante as coberturas. Na foto, ele posa ao lado de nomes como Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho. Foto: arquivo pessoal / Chico Pinheiro
Chico Pinheiro nunca escondeu a paixão pelo Carnaval, entregando entretenimento e paixão durante as coberturas. Na foto, ele posa ao lado de nomes como Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho. Foto: arquivo pessoal / Chico Pinheiro

Um jornalista que se posiciona

Como diretor de jornalismo da Record, Chico Pinheiro enfrentou um momento emblemático em sua carreira. Coube a ele decidir sobre a veiculação de um vídeo em que Edir Macedo, bispo da igreja Universal e dono da emissora, justificava o caso conhecido como Chute na Santa.

Na ocasião, um bispo da igreja chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida ao vivo no dia 12 de outubro — data em que ocorre, anualmente, uma festa em homenagem à santa —, o que levantou debates sobre intolerância religiosa.

Chico havia aceitado o cargo na emissora com a promessa de que a linha editorial seria independente dos assuntos religiosos. Tendo que veicular o vídeo, se deparou com um dilema: para manter o compromisso com o bom jornalismo, precisaria também exibir o outro lado da história.

O jornalista tomou uma decisão: exibiria a fala do dono da emissora, mas também a resposta do Cardeal Eugênio Sales, então Arcebispo do Rio de Janeiro. Encontrou resistência interna, mas manteve a posição e exibiu as duas entrevistas. Uma vitória do jornalismo.

Na ocasião, Chico decidiu que enquanto estivesse na emissora, cobriria os recorrentes chutes nas mais diversas “santas” — mulheres em situação de rua, na prostituição, nos presídios e vítimas de violência doméstica. Onde houvesse “chutes” contra elas, haveria uma pauta.

Chico ficou menos de seis meses no cargo e foi demitido sob a alegação de “infração da ética profissional”, deixando a emissora escoltado por seguranças.

Em 2001, Chico foi um dos apresentadores do show da campanha “Natal Sem Fome”, realizado no Sambódromo do Rio de Janeiro e promovido pela Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida. O evento foi transmitido pela TV Bandeirantes, com apoio técnico da Rede Globo.

Durante sua vida, Chico Pinheiro sempre se alinhou ao campo progressista, reconhecendo a importância da justiça social e da luta contra a desigualdade. Em 2022, após sair da Globo, colocou o conhecimento em comunicação à disposição da campanha do então candidato à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, contra o candidato Jair Bolsonaro. Afirmou na época que “era a luta da civilização contra a barbárie”.

Em 2022, Chico Pinheiro se colocou à disposição da campanha do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, eleito presidente do Brasil pela terceira vez em outubro do mesmo ano. Foto: Ricardo Stuckert
Em 2022, Chico Pinheiro se colocou à disposição da campanha do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, eleito presidente do Brasil pela terceira vez em outubro do mesmo ano. Foto: Ricardo Stuckert

A campanha Sou da Paz

Chico Pinheiro foi pioneiro nas campanhas pelo desarmamento no Brasil. Em 2007, o Brasil liderava o ranking mundial de mortes por armas de fogo. Na cidade de São Paulo, o medo da violência superava até o do desemprego.

Criou a campanha “Sou da Paz” como uma resposta do movimento estudantil a esse problema. O desafio era enorme: convencer as pessoas a se desarmarem, tanto em espírito, quanto em relação à posse de armas de fogo. O símbolo — uma pomba feita com as mãos — foi criado pelo publicitário Drausio Gragnani, que trabalhava com o publicitário Nizan Guanaes, e foi amplamente aderido pela sociedade.

Idealizada por Chico Pinheiro, ao lado de lideranças como Orlando Silva, então presidente da UNE, e Kerison Lopes, da UBES, a campanha conseguiu um feito histórico: recebeu e destruiu mais de 1700 armas em frente a Catedral da Sé, em São Paulo. Foi o primeiro movimento de entrega voluntária de armamento da história do país. Posteriormente, a ação foi convertida em um instituto, que segue lutando pela redução da violência no Brasil.

Chico Pinheiro no ICL Notícias

Fora da televisão aberta desde 2022, Chico seguiu atuante, colocando sua coragem e compromisso sempre a serviço do bom jornalismo. Em 2023, voltou às telas — mas, dessa vez, na internet —- como âncora do ICL Notícias 2ª Edição, programa jornalístico do Instituto Conhecimento Liberta, transmitido ao vivo no YouTube de segunda a sexta, a partir das 17h30.

À frente da bancada do programa, Chico trabalhou com nomes como Leandro Demori, Xico Sá, Cesar Calejon, Roberta Garcia, Gabriela Varella, Heloísa Villela, Juliana Dal Piva, Guga Noblat, entre outros, levando os principais fatos da política brasileira diariamente para milhares de brasileiros. No ICL, Chico segue fazendo jornalismo como sempre soube fazer, compromissado, sério e de qualidade.

Em setembro de 2024, Chico assumiu um novo programa no Instituto Conhecimento Liberta. Sua paixão pelo jornalismo, política e cultura se entrelaçaram em uma oportunidade única de levar informação e promover o debate plural.

Chico Pinheiro Entrevista

Desde 2024, o jornalista comanda o Chico Pinheiro Entrevista, às segundas-feiras, 19h, com reprise às terças, 12h30. A atração traz convidados diferentes a cada edição. Além de uma conversa, Chico Pinheiro Entrevista é um espaço para reflexão coletiva, reunindo convidados da política, cultura e artes — sempre com bom humor e muito senso crítico.

As entrevistas completas estão disponíveis nos canais do ICL no Youtube e no Spotify.

A sensibilidade de Chico na condução das entrevistas é marcante. Segundo ele, “como diria Caetano Veloso: ‘de perto ninguém é normal’. Ninguém é igual a ninguém. Cada pessoa é um universo. São esses universos que vamos abrir aqui”.

A deputada federal Erika Hilton é um dos nomes que, ao lado de figuras como Pedro Cardoso, Padre Júlio Lancellotti e Luiza Erundina, já passaram pelo programa. Primeira mulher trans negra eleita para o Congresso, Erika falou sobre sua experiência, os desafios de ocupar espaços de poder e seu compromisso inabalável com os direitos humanos.

Na atração, Chico proporciona um espaço único, onde acolhimento e afeto também encontram um lugar. De coração aberto, os convidados são acolhidos do começo ao fim, tendo liberdade para falar sobre trajetórias, lutas e sentimentos.

Um gigante do jornalismo brasileiro

Gaúcho por nascimento, mineiro por acolhimento e paulista de coração, Chico é mais do que um ícone da televisão, é um patrimônio do jornalismo nacional. Com mais de 50 anos de carreira, sua trajetória é marcada por coragem, credibilidade e um compromisso inabalável com a informação de qualidade.

Chico Pinheiro posa ao lado de Caetano Veloso e Guilherme Boulos, homenageando a vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro em 2018. Foto: arquivo pessoal / Chico Pinheiro
Chico Pinheiro posa ao lado de Caetano Veloso e Guilherme Boulos, homenageando a vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro em 2018. Foto: arquivo pessoal / Chico Pinheiro

Da cobertura do impeachment de Collor às entrevistas com importantes nomes da cultura brasileira, Chico sempre esteve onde a notícia exigia. Seu trabalho à frente de telejornais como Bom Dia Brasil, por exemplo, o consagrou como um premiado comunicador capaz de unir seriedade e carisma, provando que é possível informar com humanidade.

A carreira de Chico Pinheiro o consolidou como um jornalista que se posiciona, que reconhece seu papel de comunicador na promoção de uma sociedade mais justa e que, acima de tudo, entende a importância do diálogo e da reflexão na construção de novos caminhos. Em razão disso, foi homenageado em diversas ocasiões ao longo da vida:

  • Medalha Santos Dumont (1981)
  • Prêmio APCA de Jornalista revelação (1992)
  • Prêmio APCA de Melhor Apresentador (1993)
  • Conselheiro da Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela vida, a convite  do sociólogo Betinho (1994)
  • Prêmio PNBE Cidadania (2000)
  • Título de Jornalista Amigo da Criança (2001)
  • Prêmio IDEC Construção da Cidadania (2002)
  • Troféu Raça Negra (2006)
  • Prêmio APCA de Melhor telejornal (2008)
  • Prêmio Comunique-se: Âncora (2018)
Desde 2023, Chico Pinheiro integra a equipe de jornalistas do ICL Notícias. Foto: reprodução
Desde 2023, Chico Pinheiro integra a equipe de jornalistas do ICL Notícias. Foto: reprodução

Seu trabalho também lhe rendeu homenagens em câmaras municipais. Chico é cidadão honorário da capital paulista, de Águas de Lindóia, cidade do interior de São Paulo e da capital mineira, Belo Horizonte.

É jornalismo que segue!

Se você acha que depois de mais de 50 anos de carreira, 32 deles na maior emissora da TV aberta do país, Chico Pinheiro parou, está enganado. Ele segue inovando e contribuindo para o jornalismo nacional e hoje, no ICL Notícias, continua a promover debates fundamentais para o país.

Defensor da justiça social, crítico ferrenho da desigualdade e eterno apaixonado pela cultura brasileira, Chico prova que o bom jornalismo é capaz de se manter atual, se reinventando ao longo do tempo.

Chico Pinheiro posa ao lado do ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, uma das maiores lideranças da esquerda latino-americana. Foto: Guilherme Gandolfi
Chico Pinheiro posa ao lado do ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, uma das maiores lideranças da esquerda latino-americana. Foto: Guilherme Gandolfi

E sua paixão pelo Clube Atlético Mineiro? Essa contínua! O jornalista é conselheiro vitalício e benemérito do time, tendo recebido até mesmo o “Galo de Prata”, a maior honraria concedida pelo clube. Além disso, recebeu do Atlético-MG a medalha de campeão da Taça Libertadores da América, conquistada pelo time em 2013.

Com décadas de carreira que acompanharam não só a evolução da técnica do jornalismo, mas também momentos marcantes da história brasileira, Chico acumulou não apenas experiência, mas uma rica sabedoria prática. Seu olhar apurado, sua capacidade de informar sobre temas complexos e seu compromisso com o bom jornalismo fazem dele uma voz indispensável em tempos tão sombrios.

Chico já deixou sua marca na história da imprensa brasileira, mas ainda tem muito fôlego para seguir mantendo viva a chama de um jornalismo capaz de informar, mas também transformar.

*Estagiário sob supervisão de Leila Cangussu

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