Por Marcelle Vieira Salles
Há alguns meses, fui atraída à leitura de um texto no qual se enaltecia a importância das pessoas terem liberdade para criticar produtos e serviços. O mais interessante é que o conteúdo dessa reflexão foi intitulado com uma pergunta de cunho puramente retórico, em que o próprio texto opinava e respondia.
Esse recurso é muito utilizado na escrita argumentativa e seria hipocrisia da minha parte, se não admitisse que recorro a essa técnica sempre que as circunstâncias ensejam.
No entanto, a artimanha utilizada na ocasião em específico não foi capaz de produzir o efeito da chamada em mim, pois percebi de forma clara que o objetivo da mensagem não se baseava na criação de meditações e diálogos futuros, mas apenas em justificar a ideia e a causa que satisfaziam unicamente os interesses estratégicos e comerciais da pessoa.
Ou seja, a técnica não foi sustentável, porque se esvaziou de sentido para alcançar e imergir nos afetos do interlocutor.
O poder das perguntas
Diante dessa introdução, é importante pensar que as perguntas possuem mesmo esse poder de atrair o público. De fato, somos mais estimulados a conteúdos que carregam interrogações do que pontos finais. Isso nos excita, nos instiga e nos move a elucidar mistérios.
Há muitas explicações neurocientíficas para tal fenômeno, mas o motivo principal que concebo está relacionado à curiosidade que aguça nossos sentidos. Da nossa natureza animal, apesar de toda racionalidade, também herdamos o faro e sentimos falta de descobrir coisas novas.

As perguntas e a criação de sentido
No livro Fazendo a inovação acontecer (2018) do Professor Rivadávia Drummond, com quem tive o privilégio de aprender e dialogar durante meu mestrado em 2008, nos deparamos com a defesa do autor à elaboração de grandes perguntas, que se fundamentam em questões difíceis, complexas, que demandam tempo de pesquisa, dedicação e resiliência para serem respondidas.
O autor explica que desde a infância, seu pai o bombardeava com perguntas para as quais ele não encontrava respostas prontas e rápidas, como por exemplo:
- Como funciona o rádio?
- Qual a velocidade do som?
- Por que o som e a imagem da televisão não estão sincronizados?
- O ar é matéria?
- O ar ocupa lugar no espaço?
- Por que existem muitas pessoas pobres e poucas pessoas ricas?
- É possível viajar no tempo?
- Existe vida fora do nosso planeta?
- Você acredita mesmo que se comer manga e beber leite irá morrer?
- Qual o sentido da vida?
- Quais serão sua missão e legado já sabendo que a única certeza que você tem é a morte?
Professor Rivadávia então admite compreender que seu pai o estimulava a pensar enquanto desenvolvia seu senso crítico, sua curiosidade, sensibilidade e honestidade intelectual para se firmar como autônomo na vida. Além disso, tal “curso preparatório” com o pai, permitiu que ele concluísse que para toda pergunta complexa e difícil, há sempre uma resposta rápida e simples que, geralmente, está errada.
Questões na gestão organizacional
Aqui, saliento um ponto da teoria desenvolvida pelo referido professor, que propõe a existência de perguntas consistentes na gestão organizacional. Em vez de nos atermos apenas às questões que buscam responder a razão de negócios serem bem-sucedidos, por que não meditamos a respeito dos fracassos? Estudos acerca dos insucessos organizacionais nos fazem aprender com os erros e a lermos de forma mais profunda o mundo, conforme Paulo Freire também nos ensina.
É essencial acolhermos os erros, pois nos humanizam e nos aproximam mais uns dos outros. Além disso, quanto mais rápido você se permitir a errar, mais chances tem de acertar. Melhor ainda, quanto mais rápido, mais recursos ainda restam para se tentar novamente.

O poder das perguntas no sucesso dos negócios
Neste parágrafo de conclusão quero enfatizar que o progresso surge de perguntas que fazem sentido, dos fracassos e dos problemas a serem resolvidos ou, simplesmente, por serendipidade, que significa o ato de fazer descobertas afortunadas ao acaso.
E se a inovação é tão importante e crucial para qualquer pessoa empreendedora, por que ainda não se dedica tempo suficiente para se conceber entregas melhores? Por que criticamos tanto o outro e não nos apresentamos ao espelho? Por que somos tão reativos e pouco propositivos?
A capacidade de refletir e se questionar é fundamental para o processo de inovação. Pensar em estratégias melhores, novos processos ou até mesmo questionar os motivos por trás de cada decisão demonstra consciência e maturidade. E, para desenvolver seu negócio da melhor forma, é preciso conhecer criticamente o empreendedorismo e é justamente isso que o Empreendedor Mestre propõe.
Conheça a plataforma e tenha acesso a conteúdos completos que cobrem desde o processo de gestão de pessoas a práticas de marketing digital para potencializar seus resultados. Clique aqui e conheça!