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Reportagem do site Metrópoles, assinada pelos jornalistas Arthur Guimarães e Isadora Teixeira, revela que a reforma na casa de praia do ex-presidente Jair Bolsonaro em Angra dos Reis (RJ), na Costa Verde fluminense, teve entre os autores um empreiteiro que, em apenas uma semana, venceu licitações de quase R$ 17 milhões em contratos ligados ao governo do correligionário Cláudio Castro (PL). Em uma das concorrências, que teve o valor de R$ 9 milhões, o empresário era o único no certame.

Renato de Araújo Corrêa foi coordenador da obra no imóvel do ex-presidente. Vizinhos da casa, ouvidos sob anonimato pelo Metrópoles, afirmaram que o viam no local toda semana, perto do fim de ano, orientando os operários “como se fosse o chefe deles”.

Vídeo obtido pela reportagem mostra um discurso em Angra, no Hotel do Bosque, no dia 7 de janeiro deste ano. Na ocasião, Bolsonaro comenta com a plateia sobre a reforma em sua residência. Apontando para Renato, ao seu lado no palco, o ex-presidente admitiu que o empresário estava “pagando” tudo.

“Minha casa aqui não é o sítio de Atibaia, não”, prosseguiu, em referência ao imóvel que serviu de base para investigações por corrupção e lavagem de dinheiro contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a Lava Jato.

Ao Metrópoles Renato negou ter sido o responsável por executar a obra na casa de Bolsonaro, alegou ter dado apenas “pitacos” na reforma e disse que uma empresa terceirizada fez o serviço. Não esclareceu que empresa era essa.

Aliado de Bolsonaro: empreiteiro venceu licitações de quase R$ 17 milhões em contratos com o governo de Cláudio Castro

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“Amigo” de Bolsonaro

Renato disse também que o ex-presidente pagou a suposta firma e tem todas as notas fiscais. Questionado sobre qual seria o nome dessa empreiteira, o empresário disse não lembrar, pois ela “tem o nome um pouco complicado”: “Agora você vai me pegar”.

Ele acrescentou que ia semanalmente ao imóvel para atuar como uma espécie de “fiscal”, para ajudar “como amigo”.

Mas o empreiteiro acabou admitindo ao Metrópoles que usou “uns 10 funcionários” para finalizar a reforma, sem explicar por que esse serviço não foi feito pela suposta firma titular do trabalho.

A casa de Bolsonaro em Angra, que tem cerca de 700 metros quadrados e ocupa dois lotes na Vila de Mambucaba, passou por troca de piso, conserto do telhado, troca de esquadrias, quebra de paredes, reconstrução de um muro e pintura por dentro e por fora, segundo Renato. Informalmente, antes da obra, o imóvel estava avaliado em cerca de R$ 1 milhão.

Em entrevista recente ao jornal Folha de S. Paulo, Bolsonaro afirmou que tem todas as notas fiscais da reforma, paga do “bolso” dele. Até agora, no entanto, não se sabe o valor da revitalização nem qual foi a participação detalhada de cada empresa no trabalho.

Questionados sobre o valor da obra pelo Metrópoles, nem Renato, nem o ex-presidente Jair Bolsonaro responderam à reportagem.

Firmas de Renato atuaram, em 2022, na reforma do aeroporto de Angra dos Reis, projeto xodó dos filhos de Bolsonaro. O próprio ex-presidente repete, em entrevistas e discursos, que gostaria de transformar a região no “Caribe brasileiro”.

A PF fez operação na casa de Angra no fim de janeiro para consumar busca e apreensão de documentos e aparelhos da família Bolsonaro na investigação sobre milícias digitais.

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