Por Cleber Lourenço
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado cancelou, nesta terça-feira (3), a sessão prevista para ouvir representantes do Governo do Distrito Federal após a ausência do governador Ibaneis Rocha. Embora o chefe do Executivo local tenha respondido formalmente ao convite da comissão, ele informou que não compareceria pessoalmente e indicou o secretário de Segurança Pública do DF, Sandro Avelar, para prestar esclarecimentos.
O ofício encaminhado ao presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), foi enviado na noite de segunda-feira (2) e confirma a recusa do governador em participar da oitiva, sob o argumento de que o secretário de Segurança poderia representar o Distrito Federal e fornecer informações sobre o modelo de enfrentamento ao crime organizado adotado no DF.
Apesar disso, Sandro Avelar não compareceu à sessão. No lugar dele, quem esteve presente foi o secretário-executivo da Secretaria de Segurança Pública, Alexandre Patury. A avaliação dos integrantes da CPI foi de que o representante enviado não detinha autoridade política nem administrativa suficiente para responder em nome do governo distrital, o que levou ao cancelamento da oitiva.
Diante do episódio, o presidente da comissão anunciou que irá apresentar requerimento para a convocação do governador Ibaneis Rocha. Diferentemente do convite, a convocação obriga o comparecimento do chefe do Executivo, sob pena de responsabilização por crime de desobediência.
A decisão da CPI marca uma escalada institucional no embate entre o Senado e o governo do Distrito Federal. Inicialmente tratado como um convite protocolar, o depoimento acabou se transformando em um impasse político após a ausência do governador e o envio de um representante que não correspondia à indicação formal feita ao colegiado.
Integrantes da comissão avaliam que houve tentativa de esvaziamento da oitiva e de redução do peso político da audiência, o que motivou a reação imediata da presidência da CPI. A expectativa é que o requerimento de convocação seja apresentado ainda nesta semana, forçando o governador a prestar esclarecimentos diretamente aos senadores.