Atualização — [16h57 – 26/05/2026]: A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap-RN) informou nesta terça-feira (26) que exames sorológicos descartaram relação entre o detergente da marca Ypê e o quadro clínico da criança internada em Natal. Segundo a pasta, o diagnóstico apontou eritema infeccioso causado por parvovírus humano.
Uma menina de 10 anos foi internada em Natal (RN) após apresentar sintomas que inicialmente levantaram suspeitas sobre possível relação com um detergente da marca Ypê, cujo lote foi suspenso pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na última semana.
Segundo familiares, a criança começou a apresentar coceira, manchas pelo corpo e dificuldade para respirar cerca de uma semana atrás, após o contato com o produto.
O padrinho da menina, Alisson da Silva, afirmou que a família passou a suspeitar do detergente depois da divulgação da decisão da Anvisa sobre lotes da Ypê.
“Quarta-feira passada, 8 dias atrás, ela veio apresentando intoxicação. Até a segunda-feira foram cinco entradas no hospital. A gente começou a suspeitar (do detergente) porque ela estava com pequeno corte na mão e teve uso do detergente na quarta-feira. Ou seja, se sai uma publicação de que está acontecendo uma coisa que não é normal, já foi avisado pela Anvisa que estava com uma bactéria, a minha afilhada usa dele e começam a aparecer sintomas, então dá a entender que seja do sabão”, disse.
A menina passou por sucessivos atendimentos em unidades de saúde desde segunda-feira (11) até ser internada na UPA de Pajuçara. Ela foi encaminhada ao Hospital Infantil Varela Santiago, em Natal, com quadro estável. Inicialmente, a equipe médica investigava uma possível infecção bacteriana.
Enquanto aguardam a recuperação da criança, os familiares também esperam o resultado dos exames para esclarecer o que provocou os sintomas.
“O apelo que eu faço é que descubram o problema da minha filha. Eu não quero saber se é detergente, seja lá o que for, não quero saber o que foi que aconteceu, de onde veio essa bactéria”, disse o pai da menina, Lee Clarean da Silva.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Natal informou que a paciente recebeu todos os procedimentos de acolhimento necessários na UPA de Pajuçara.
A pasta informou ainda que o caso será investigado pelo Departamento de Vigilância em Saúde do município. Segundo o órgão, não há necessidade de recolhimento de amostra do detergente porque o produto já faz parte de um lote classificado pela Anvisa com orientação de risco.
Posteriormente, exames sorológicos descartaram relação entre os sintomas apresentados pela criança e o detergente da marca Ypê. Segundo a Sesap-RN, o diagnóstico apontou eritema infeccioso causado por parvovírus humano.
Ainda de acordo com a secretaria, o resultado dos exames laboratoriais da paciente poderá confirmar ou descartar relação entre os sintomas e o uso do produto.
A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) informou que acompanha a investigação, conduzida pela Vigilância Sanitária e pelo Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (Cievs). Segundo o órgão estadual, até esta quarta-feira (13) não houve apreensão de produtos do lote citado pela Anvisa no Rio Grande do Norte.
“A Ypê apresentou os lotes em não conformidade para a equipe de fiscalização da Anvisa, exatamente para demonstrar que o processo de testes, identificação e bloqueio de produtos da empresa é eficaz. Esses lotes ficam em quarentena e, em caso de confirmação de não conformidade, são devidamente destruídos”, informou a Ypê em nota.
Na semana passada, a Anvisa determinou a suspensão da fabricação, comercialização e distribuição de produtos da marca pertencentes a lotes com numeração final “1”, após identificar falhas no processo produtivo e risco de contaminação microbiológica, incluindo a bactéria Pseudomonas aeruginosa, resistente a antibióticos.
Consumidores foram orientados a interromper o uso dos produtos afetados e buscar orientação junto ao SAC da empresa.