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O Carnaval é uma das maiores expressões das transversalidades da cultura popular brasileira. Do norte ao sul do Brasil, a festa ganha as ruas, promove os encontros e o reencontros de multidões conhecidas e desconhecidas.
Para além dos encontros e reencontros, o Carnaval também é protesto, reavivamento de memórias silenciadas e subalternizadas. Carnaval é ensinamento e descolonização.
E, se usamos as artes e as expressões da maior festa popular brasileira como ato de resistência, não deveria causar estranhamento aos olhos quando assistimos homenagens e representações das culturas africanas e afro-brasileiras na avenida.
Cá do meu canto, observo que o estranhamento está ligado à uma possível ameça aos privilégios de quem sempre se viu representados ou representante da cultura brasileira.
Na cena do Carnaval, a fé e a cultura das pessoas africanas, que aportaram no Brasil na condição de escravizadas, é exaltada, cantada e celebrada como expressão máxima das riquezas que constituem as nossas identidades.
Temas que vem a cada vez mais fortalecendo as nossas resistências cotidianas e alimentando as nossas lutas coletivas: afinal, esse não é o papel da arte? Ora, é e justamente é esse o papel que as escolas de samba, principalmente através dos seus enredos, vem fazendo a cada ano.
Assim, os sambas-enredo cumprem com excelência ao levar para a avenida as nossas manifestações culturais, religiosas e espirituais promovendo questionamentos sobre a falta de promoção da liberdade religiosa, críticas sobre a intolerância.
E a arte do Carnaval, idealizada e construída pela “gente comum” brasileira, entrará na avenida pedindo paz, tolerância, respeito e equidade expressando um desejo coletivo.
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