Por Carolina Linhares
(Folhapress) – A defesa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu, nesta sexta-feira (30), que o ministro Alexandre de Moraes seja considerado impedido para relatar o inquérito que apura a relação entre o senador e o advogado Willer Tomaz. A solicitação foi dirigida ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin.
Além disso, os advogados argumentam a Fachin que o caso deveria ser relatado pelo ministro André Mendonça e pedem a redistribuição do inquérito.
A investigação apura se Flávio e Willer tinham uma sociedade indireta para lavar dinheiro -inclusive por meio de uma casa de aposta.
Foi no âmbito desse inquérito que a Polícia Federal pediu e Moraes autorizou o cancelamento dos passaportes brasileiros e a entrega do passaporte italiano de Flávio após ele ter perdido a eleição presidencial para Lula (PT) no domingo (25). O senador não entregou os documentos, saiu do Brasil pela fronteira com a Argentina e fugiu para os Estados Unidos.
A defesa de Flávio pede ainda a revogação das medidas cautelares impostas ao senador. Além da entrega e cancelamento dos passaportes, Moraes havia determinado que Flávio e Willer não mantenham contato.
No total, foram três peças protocoladas.
A defesa argumenta que Moraes está impedido de conduzir a investigação porque o ministro utilizou o mesmo avião que é apontado pela PF como elo entre Flávio e Willer -e que tem relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Entre as viagens compartilhadas entre Willer e Flávio, a PF identificou um voo de janeiro de 2025, quando o senador, sua mulher, duas filhas e o advogado viajaram de Fort Lauderdale (EUA) para Brasília. O trajeto foi realizado no jato Legacy 650 (prefixo PP-NLR), de propriedade da Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A.
O capital da Fraction 024 se dividia em três partes iguais. Uma era de Willer, e outra, de Laércio Cosentino, fundador da TOTVS. A terceira foi comprada pela Prime You no fim de 2024 -Vorcaro foi sócio da Prime You de 2021 a setembro de 2025.
Como revelou a Folha de S.Paulo, Moraes e sua mulher, Viviane Barci de Moraes, voaram em jatos executivos de empresas de Vorcaro ou ligadas a ele, entre maio e outubro de 2025.
Viane foi contratada pelo Banco Master por R$ 130 milhões. A PF aponta que Vorcaro negociou a transferência de cotas do jatinho e de um helicóptero como pagamento por um segundo contrato com o escritório de Viviane.
O caso, segundo argumenta a defesa de Flávio, torna Moraes implicado na investigação e, portanto, exige que ele seja declarado impedido.
Em outra frente, os advogados do senador afirmam que o inquérito sobre Flávio deveria ter sido distribuído a Mendonça, que seria o ministro competente para esse caso, e não a Moraes, já que a apuração foi aberta com base em dados de Willer obtidos na investigação sobre fraudes no INSS.
Como Mendonça é o relator do caso do INSS, as investigações derivadas também deveriam ficar a cargo dele, segundo argumenta a defesa de Flávio com base no regimento interno do STF.
Caso o inquérito seja redistribuído para Mendonça ou para outro ministro, os advogados pedem que as medidas cautelares determinadas por Moraes sejam revogadas.
Moraes é tido como um inimigo pelo bolsonarismo, enquanto Mendonça é visto como aliado por ter sido indicado por Jair Bolsonaro (PL). Um dos motivos que levou Flávio a fugir do país, de acordo com interlocutores, foi o sentimento de ser vítima de uma perseguição por parte do ministro, que prendeu seu pai no processo da trama golpista.
Na segunda-feira (26), véspera da fuga, Flávio Bolsonaro chegou a gravar um vídeo dizendo que entregaria seus passaportes e que não cogitava sair do país, seguindo o conselho de aliados da cúpula da campanha e de seus advogados. O entorno do senador disse ter ficado surpreso com a ida dele para o exterior acompanhado da mulher, Fernanda, e das filhas.