Diagnóstico precoce pode curar 90% dos casos de câncer de intestino; veja os sinais

Pesquisa inédita mostra que muitos brasileiros desconhecem exames preventivos e ignoram sintomas como sangue nas fezes
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Uma pesquisa inédita realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus aponta que o diagnóstico precoce do câncer de intestino pode garantir chances de cura superiores a 90%. Muitas pessoas, porém, ignoram os primeiros sintomas ou demoram para procurar atendimento médico.

De acordo com a pesquisa, há um desconhecimento de boa parte da população sobre exames capazes de detectar a doença antes mesmo do aparecimento dos sintomas. A doença é a mesma que a cantora Preta Gil, que morreu em 20 julho do ano passado, enfrentou durante dois anos.

67% dos entrevistados da pesquisa sabem que a presença de sangue nas fezes pode ser um sintoma de câncer colorretal, e 80% consideram esse um sinal grave. Entre os 9% que relataram já ter percebido sangue nas fezes, porém, quase metade não procurou atendimento médico.

Apenas 54% dos homens procuram ajuda médica imediata ao notar sintomas, contra 63% das mulheres, e 76% deles desconhecem o exame preventivo.

A pesquisa ouviu 2.015 pessoas em todo o país entre 25 e 30 de junho para avaliar o conhecimento sobre o câncer colorretal.

O âncer de intestino é o segundo tipo de tumor mais frequente no Brasil. O Inca (Instituto Nacional de Câncer) estima 53.810 novos casos por ano no país (triênio 2026-2028). Na pesquisa, porém, 75% dos entrevistados afirmaram nunca ter tido contato com um paciente com câncer colorretal.

Embora o câncer colorretal seja mais comum em pessoas com mais de 50 anos, especialistas observam um aumento da incidência entre adultos mais jovens. Dados do A.C.Camargo Cancer Center mostram que, no estado de São Paulo, os casos em pessoas com menos de 50 anos cresceram, em média, quase 3% ao ano entre 2000 e 2023. Ainda não há uma explicação definitiva para essa tendência, mas fatores relacionados ao estilo de vida, como alimentação inadequada, sedentarismo e obesidade, estão entre as principais hipóteses levantadas pelos pesquisadores.

Câncer de intestino

O câncer colorretal costuma se desenvolver de forma silenciosa, a partir de lesões benignas conhecidas como pólipos. Entre os principais sinais de alerta estão sangue nas fezes, alterações no funcionamento do intestino por mais de um mês, dor abdominal persistente e perda de peso sem explicação.

Especialistas destacam que apenas cerca de 4% dos casos têm origem hereditária. A maior parte está associada a fatores de risco ligados ao estilo de vida, como sedentarismo, obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool e dieta pobre em fibras.

Diagnóstico precoce pode curar 90% dos casos de câncer de intestino
Diagnóstico precoce pode curar 90% dos casos de câncer de intestino

A recomendação médica é iniciar o rastreamento da doença a partir dos 45 anos. A colonoscopia segue como o principal exame para diagnóstico, pois permite visualizar o intestino e remover pólipos antes que evoluam para tumores.

Em maio, o Ministério da Saúde incorporou o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) como exame de referência no Sistema Único de Saúde (SUS) para o rastreamento da doença. O protocolo é destinado a homens e mulheres entre 50 e 75 anos sem sintomas e faz parte da estratégia para ampliar a prevenção entre mais de 40 milhões de brasileiros.

O FIT identifica pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes por meio de anticorpos específicos. Além de apresentar sensibilidade entre 85% e 92% para detectar alterações intestinais, o exame dispensa dietas restritivas e preparo intestinal antes da coleta.

A amostra é coletada pelo próprio paciente em casa e enviada para análise laboratorial. Caso o resultado indique a presença de sangue oculto, o paciente é encaminhado para realizar uma colonoscopia, que pode confirmar o diagnóstico e remover lesões antes que elas evoluam para um câncer.

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