Por Cleber Lourenço
Após a sessão secreta realizada nesta quarta-feira (2) pela Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Luiz Fernando Corrêa, deixou o Congresso Nacional sem dar declarações à imprensa, sem dialogar com os servidores da agência e ignorando os representantes da Intelis — o sindicato da categoria. A conduta, descrita por testemunhas como apressada e evasiva, ampliou a sensação de opacidade que tem marcado o caso.
O presidente da comissão, deputado Filipe Barros (PL-PR), afirmou que os parlamentares “se sentiram satisfeitos” com os esclarecimentos prestados na audiência. Por se tratar de uma sessão sigilosa, o silêncio do deputado segue o protocolo institucional. Ainda assim, sua fala foi marcada por generalidades, frases truncadas e falta de clareza sobre os temas abordados. Barros citou questões como a reformulação da Abin, relações com o Paraguai e o que chamou de “relações paralelas”, mas se recusou a explicar a que se referia.

Servidores da Abin querem Rui Costa na comissão
A ausência de manifestações públicas também se estende à Casa Civil, responsável pela supervisão institucional da Abin no atual governo. Até o momento, o ministro Rui Costa não se pronunciou sobre a crise que envolve a agência. Recentemente, servidores da Abin encaminharam um requerimento à CCAI solicitando formalmente que o ministro seja ouvido pela comissão. A solicitação foi feita pela Intelis e reforça a insatisfação interna com a condução da política de inteligência por parte do governo.
Ao anunciar nova reunião da CCAI para o dia 16, às 13h, o deputado Filipe Barros disse que ainda será necessário buscar “convergência entre os membros” para definir os próximos passos. Nos bastidores, parlamentares da oposição e até da base aliada já cobram mais transparência sobre os rumos da Abin e o papel da Casa Civil diante do cenário.