A segunda-feira (28) começa com otimismo nos mercados internacionais, após o anúncio de um novo acordo comercial entre Estados Unidos e União Europeia. A medida, apresentada por Donald Trump, prevê tarifas de 15% sobre exportações europeias e compromissos de compra de energia e equipamentos militares por parte do bloco — fator que reforça o apetite por risco às vésperas de uma semana intensa para os investidores.
Os mercados aguardam a decisão de juros do Fed (Federal Reserve, o banco central estadunidense) e do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central na quarta-feira (30), com ampla expectativa de manutenção das taxas, enquanto crescem as apostas sobre os próximos passos da política monetária. Também haverá decisão dos juros no Japão na quinta-feira (31).
No radar, também estão os dados de inflação e emprego nos EUA, com destaque para o payroll de julho.
O foco ainda se volta aos balanços de grandes empresas de tecnologia, como Amazon, Apple, Meta e Microsoft, após resultados acima do esperado da Alphabet na semana passada.
Já o Brasil começa o dia com a divulgação do Boletim Focus, além de relatórios sobre dívida pública e balança comercial.
Brasil
O Ibovespa encerrou a sexta-feira (25) em queda de 0,21%, aos 133.525 pontos, com investidores atentos à escalada das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Apesar do recuo diário, o índice acumulou leve alta de 0,11% na semana. O volume financeiro ficou em R$ 12,3 bilhões.
As taxas dos DIs oscilaram pouco, em meio a um pregão de baixa liquidez. O IPCA-15 (prévia da inflação) de julho subiu 0,33%, levemente acima do esperado (0,30%), o que gerou reações limitadas nos juros futuros. A taxa do DI para 2028 subiu no fim do dia, acompanhando o fortalecimento do dólar, após notícias de que os EUA podem aplicar tarifa de 50% sobre produtos brasileiros já em agosto.
No câmbio, o dólar à vista avançou 0,74%, cotado a R$ 5,56. Ainda assim, acumulou queda de 0,45% na semana.
Europa
As bolsas europeias sobem, impulsionadas por novo acordo comercial entre Estados Unidos e União Europeia. O pacto reduz a tarifa básica sobre a maioria das importações europeias para 15%, uma queda significativa em relação à ameaça anterior do governo Trump de aplicar uma taxa de 30%. O acordo também prevê que o bloco europeu invista cerca de US$ 600 bilhões em projetos nos Estados Unidos.
STOXX 600: +0,73%
DAX (Alemanha): +0,61%
FTSE 100 (Reino Unido): +0,17%
CAC 40 (França): +0,83%
FTSE MIB (Itália): +0,97%
Estados Unidos
Os índices futuros de Nova York avançam, em semana marcada por decisão dos juros, dados de inflação e do mercado de trabalho nos EUA. Na quinta-feira, será divulgado o índice PCE de junho, indicador preferido do Fed (Federal Reserve), que deve mostrar aceleração da inflação anual de 2,3% para 2,4%. Também são esperados dados de emprego, incluindo JOLTS e ADP.
Dow Jones Futuro: +0,18%
S&P 500 Futuro: +0,31%
Nasdaq Futuro: +0,49%
Ásia
Os mercados asiáticos fecharam sem direção única, com os investidores aguardando mais detalhes das negociações comerciais entre os EUA e a China, que deveriam começar em Estocolmo no final do dia. As negociações serão lideradas pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e pelo vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng.
Shanghai SE (China), +0,12%
Nikkei (Japão): -1,10%
Hang Seng Index (Hong Kong): +0,68%
Nifty 50 (Índia): -0,63%
ASX 200 (Austrália): +0,36%
Petróleo
Os preços do petróleo sobem depois que os EUA chegaram a um acordo comercial com a União Europeia e podem estender uma pausa tarifária com a China.
Petróleo WTI, +0,37%, a US$ 65,40 o barril
Petróleo Brent, +0,41%, a US$ 68,72 o barril
Agenda
A agenda internacional está esvaziada de indicadores hoje, com o foco dos agentes nas negociações em torno de uma possível trégua tarifária entre EUA e China.
Por aqui, no Brasil, o governo de Donald Trump prepara uma nova declaração de emergência para justificar a tarifa de 50% contra o Brasil, medida prevista para iniciar em 1º de agosto. A iniciativa busca respaldo legal diante do fato de que o Brasil tem déficit, e não superávit, com os EUA. O Escritório de Comércio americano (USTR) confirmou os planos em reuniões com o Congresso. A tarifa seria uma retaliação à investigação sobre Jair Bolsonaro, aliado de Trump. Após a notícia, o dólar subiu e senadores democratas criticaram a manobra como abuso de poder.
*Com informações do InfoMoney e Bloomberg