Três meses após o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciar um acordo com o presidente dos EUA, Donald Trump, que prometia tarifa zero sobre o aço, a indústria siderúrgica do Reino Unido amarga quedas nos pedidos e incertezas crescentes, segundo reportagem da Bloomberg. A negociação, feita após a imposição de tarifas generalizadas por Trump em abril, ainda não foi totalmente implementada — e o otimismo inicial deu lugar à frustração.
Apesar de o Reino Unido já contar com condições tarifárias mais favoráveis que outros parceiros — como a taxa recíproca de 10% —, a alíquota americana de 25% sobre o aço britânico continua em vigor. Ou seja, a finalização do acordo ainda não aconteceu.
O cenário é semelhante para outros países em negociações com os EUA. Japão, União Europeia e Coreia do Sul também aguardam a efetivação de acordos que envolvem setores estratégicos como aço e automóveis. Todos compartilham da mesma reclamação: os anúncios de Washington não estão sendo acompanhados por ações concretas.
Esse imbróglio sustenta o argumento do governo brasileiro nas negociações com Trump, de que não se sabe exatamente o que esperar. Por essa razão, a diplomacia brasileira vem se debruçando em estratégias para buscar uma solução ao tarifaço em vigor contra produtos brasileiros, ao mesmo tempo em que a extrema direita, liderada pelo deputado Eduardo Bolsonaro, age para atrapalhar o sucesso das negociações, como bem salientou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
No Japão, apenas parte das negociações com Trump foi implementada
No caso japonês, o governo fechou um acordo em julho para reduzir tarifas generalizadas e automotivas a 15%. No entanto, apenas parte das mudanças foi implementada, e a tarifa de 25% sobre veículos segue em vigor. Fabricantes como a Nissan já reviram projeções de impacto financeiro, mas alertam para a dificuldade de prever resultados sem clareza nas regras.
A Coreia do Sul enfrenta obstáculos semelhantes. Embora o acordo com os EUA tenha entrado parcialmente em vigor, a tarifa sobre carros também permanece alta, e os dados de exportação mostram quedas expressivas nas vendas para o mercado americano: 17% em automóveis e mais de 11% em aço.
Na União Europeia, um aperto de mãos entre Donald Trump e Ursula von der Leyen (presidente da Comissão Europeia) na Escócia selou um acordo de tarifa “abrangente” de 15%, mas os termos seguem vagos e a indústria alemã já calcula perdas bilionárias.
Para analistas, os atrasos podem ter origem administrativa, mas o histórico das negociações sugere um padrão de promessas não cumpridas. E, com novas tarifas no horizonte — sobre farmacêuticos e semicondutores —, o ambiente de incerteza tende a se prolongar.