Alvo da Receita, Betnacional tem Vini Jr. como garoto-propaganda e dona nos EUA

Operação do MPF investiga empresa de fachada em Curaçau usada para ocultar impostos no país
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Uma operação conjunta da Receita Federal e do Ministério Público Federal (MPF) mirou o escritório da NSX Brasil, no Recife, empresa responsável pela gestão da plataforma de apostas Betnacional, que tem o jogador Vinícius Júnior como garoto-propaganda. A marca, uma das dez maiores do setor no país e patrocinadora de grandes clubes do futebol brasileiro, é a única operação nacional vinculada a um conglomerado listado na Bolsa de Nova York (Wall Street), a multinacional Flutter Entertainment.

São cumpridos seis mandados de busca e apreensão em João Pessoa, Recife e São Paulo. Segundo a Procuradoria, que conduz a investigação por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), a plataforma movimentou mais de R$ 5 bilhões em 2025. As apurações envolvem suspeitas de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, relacionadas a operações realizadas antes e depois da regulamentação das apostas de quota fixa no Brasil.

As investigações apontam que os controladores da Betnacional teriam criado uma empresa de fachada no paraíso fiscal de Curaçau, no Caribe, para simular que as operações da plataforma ocorriam no exterior em período anterior à regulamentação do setor. Segundo o Fisco, a estrutura offshore servia para sonegar tributos nacionais, enquanto empresas sediadas no Brasil operacionalizavam o negócio e movimentavam valores milionários através de fintechs para ocultar os reais beneficiários dos recursos.

Em depoimento prestado à CPI das Bets no Senado, a própria direção da empresa admitiu que, antes do marco regulatório, recolhia apenas o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) ao transferir receitas entre o Brasil e o Caribe. A Flutter, gigante global avaliada em mais de US$ 16 bilhões que adquiriu 56% da marca por R$ 2 bilhões, chegou a alertar em seus relatórios financeiros que a falta de transparência sobre os reais proprietários da operação brasileira representava risco aos investidores internacionais.

O MP e a Receita Federal fizeram nesta sexta uma operação que apura suspeitas de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal relacionadas ao grupo NSX, dono da Betnacional (Foto: Reprodução)

Estrutura de marketing, patrocínios e nota de esclarecimento

A Betnacional expandiu sua presença no mercado consumidor por meio de pesados aportes em publicidade. A marca ganhou visibilidade ao patrocinar a transmissão da Copa do Mundo de 2026 com campanhas estreladas por Vinícius Júnior e Galvão Bueno, além de figurar como patrocinadora máster do Cruzeiro (em um contrato de R$ 40 milhões anuais) e do Sport Recife.

Em nota oficial, a NSX Brasil declarou que conduz suas atividades em conformidade com a legislação e que mantém estruturas rígidas de compliance alinhadas aos padrões do grupo Flutter. A empresa confirmou ter recebido a visita dos fiscais no Recife, mas pontuou que sua defesa ainda não teve acesso aos autos do processo para manifestação detalhada sobre o teor das acusações.

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