Governo já prefere anúncio imediato de tarifa de Trump para destravar reação econômica

Setores já sentem efeitos antecipados do tarifaço de Donald Trump
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Com a ameaça de tarifa de 50% sobre produtos brasileiros se aproximando do prazo final — 1º de agosto —, membros do governo Lula (PT) avaliam que a oficialização imediata da medida por parte de Donald Trump pode ser menos prejudicial do que a atual indefinição. As informações são da coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.

A percepção, compartilhada por ministros e integrantes da equipe econômica, é que um anúncio claro e imediato da tarifa permitiria ao Brasil reagir de forma objetiva, liberando as medidas de mitigação já prontas e rompendo a paralisia que se instalou em setores produtivos.

Segundo fontes ouvidas pela jornalista, o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin (Indústria e Comércio) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, têm tentado — até agora sem sucesso — obter sinalizações do governo norte-americano para negociar exceções ou postergação da tarifa.

Diplomatas como o chanceler Mauro Vieira aguardam autorização para iniciar conversas mais diretas em Washington.

A indefinição tem provocado crescente ansiedade entre empresários e agentes econômicos. “É melhor um final horroroso do que um horror sem fim”, disse um executivo do setor privado, resumindo o desejo de que a decisão seja oficializada logo, permitindo ao governo brasileiro iniciar respostas práticas, como acordos por produtos específicos — como café, laranja e óleo bruto — ou linhas de crédito emergenciais.

Indústria já sente efeitos de tarifa

Enquanto a tarifa de Trump ainda não é formalizada, os efeitos já se espalham por diferentes setores da economia brasileira.

Exportadores de pescados e madeira, por exemplo, relatam cancelamento de pedidos e suspensão de embarques para os Estados Unidos. “Todos os embarques foram suspensos e pedidos cancelados”, afirmou Eduardo Lobo, presidente da Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados), em entrevista à CNN. Segundo ele, a cadeia produtiva deve parar se a tarifa for imposta.

No setor madeireiro, a Abimci (Associação brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente) já contabiliza contratos cancelados e fábricas operando em ritmo reduzido. “Várias empresas estão cortando turnos e anunciando férias coletivas”, relatou Paulo Roberto Pupo, superintendente da entidade, também à CNN.

No Espírito Santo, empresas fornecedoras de ferro-gusa — insumo da indústria siderúrgica — também enfrentam suspensão de contratos com importadores americanos.

Outros setores, como suco de laranja, relatam paralisação na negociação de novos contratos, ainda que os embarques em andamento estejam mantidos. Já segmentos como café e carne bovina ainda não registraram impacto direto, mas monitoram o cenário com cautela.

 

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