A Argentina e os Estados Unidos assinaram na quarta-feira (4) um acordo voltado aos minerais críticos, com o objetivo de fortalecer e dar maior previsibilidade às cadeias globais de suprimento. Segundo o Ministério das Relações Exteriores argentino, o entendimento estabelece bases para ampliar a cooperação bilateral em mineração e no processamento desses insumos estratégicos.
O acordo foi firmado durante uma reunião ministerial sobre minerais críticos convocada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e define um marco inicial para aprofundar a coordenação entre os dois países diante do aumento da demanda global por esses recursos.
Em comunicado oficial, o governo do presidente Javier Milei afirmou que a iniciativa deve impulsionar o crescimento econômico da Argentina, ao criar condições mais favoráveis para a atração de investimentos e para a expansão das exportações do setor mineral.
Em 2025, as exportações argentinas de mineração alcançaram US$ 6,04 bilhões, um recorde histórico, com crescimento interanual próximo de 30%. O desempenho foi atribuído, em parte, aos incentivos previstos no Regime de Incentivo a Grandes Investimentos (RIGI) e a um ambiente regulatório considerado mais previsível pelo governo.
Minerais estratégicos e demanda global
De acordo com o governo argentino, o acordo com os Estados Unidos busca consolidar cadeias de valor mais diversificadas e resilientes, além de responder ao avanço de novas tecnologias e à crescente demanda internacional por minerais críticos. Nesse contexto, lítio e cobre são apontados como setores-chave para ampliar exportações, gerar divisas e criar empregos qualificados, com impacto relevante nas economias regionais.
A avaliação oficial é que, em um cenário de estabilidade macroeconômica e regras claras para o investimento privado, a mineração tende a se consolidar, ao lado da energia e da agroindústria, como um dos pilares do processo de transformação econômica do país.
Projeções de médio e longo prazo
Segundo as projeções do governo, a Argentina pretende elevar suas exportações totais para cerca de US$ 100 bilhões nos próximos sete anos. Nesse horizonte, a participação da mineração pode superar US$ 20 bilhões, com potencial para ultrapassar US$ 30 bilhões ao final da próxima década, reforçando o peso estratégico do setor na agenda econômica nacional.