Mesmo com os alimentos ainda pressionando a inflação no Brasil, dois dos itens mais simbólicos da mesa do brasileiro registraram queda significativa de preços nos últimos 12 meses: arroz e feijão. Segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a dupla essencial ficou mais barata, puxada principalmente pelo aumento da oferta e por mudanças nos hábitos de consumo da população.
Entre junho de 2024 e maio de 2025, o arroz acumulou queda de 12,07% — após oito meses consecutivos de recuo mensal. Já entre os quatro tipos de feijão pesquisados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o feijão preto teve a maior retração: 23,01%. O carioca, mais consumido no país, caiu 13,17%. As variedades fradinho e mulatinho também apresentaram queda, de 7,23% e 4,25%, respectivamente.
Alguns fatores ajuda a explicar esse movimento. Por exemplo: ao longo de 16 anos, produtores brasileiros substituíram as áreas plantadas de arroz e feijão para darem lugar à soja e ao milho, que podem ser exportados e, por isso, dão lucros maiores. Porém, desde a safra 2022/2023, essas áreas plantadas cresceram um pouco.
Apesar de serem menores do que há 19 anos, as áreas plantadas de arroz e feijão cresceram 6% e 16%, respectivamente, da safra de 2022/23 para a deste ano, segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).
Safras ajudaram a aliviar os preços do arroz e feijão
Especialistas apontam que o aumento das safras foi o principal fator para o alívio de preços. De acordo com o IBGE, a produção nacional de arroz deve crescer 15,9% em 2025. No caso do feijão, que tem três safras ao longo do ano, o avanço total estimado é de 4,6%, com destaque para a primeira colheita, já encerrada, que cresceu 28,4%.
Além da oferta maior, o comportamento do consumidor também mudou. Segundo analistas, o consumo de arroz e feijão vem sendo impactado por dietas mais variadas, preferência por refeições prontas e até pelo avanço das plataformas de apostas online, que consomem parte do orçamento familiar — especialmente entre as camadas mais pobres.
Esse movimento de queda contrasta com o avanço de outros alimentos. A alimentação no domicílio acumulou alta de 7,19% em 12 meses, com destaque para o café moído (+82,24%) e as carnes (+23,48%).
Inflação dos alimentos
A queda nos preços, no entanto, ainda não foi suficiente para reverter a insatisfação popular com a inflação de alimentos — um fator que pesa especialmente entre os mais pobres e contribui para a baixa aprovação do governo federal no início de 2025.
Mesmo com esse alívio pontual, o custo da alimentação básica continua subindo, segundo dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
São Paulo foi a capital em que o conjunto dos alimentos básicos apresentou o maior custo: R$ 896,15, seguida de Florianópolis (R$ 858,93), Rio de Janeiro (R$ 847,99) e Porto Alegre (R$ 819,05). Os menores valores foram registrados em Aracaju (R$ 579,54), Salvador (R$ 628,97), Recife (R$ 636,00) e João Pessoa (R$ 636,73). Nas regiões Norte e Nordeste, a composição da cesta é diferente, geralmente com produtos mais baratos.
No mesmo período, o pacote de 1 kg de feijão carioca caiu de R$ 7,89 para R$ 6,48 (–17,87%), enquanto o pacote de 5 kg de arroz passou de R$ 28,73 para R$ 26,48 (–7,83%), segundo dados do Procon-SP (órgão de defesa do consumidor).