A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 4,2 bilhões em fevereiro, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (5) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O resultado ocorre quando o valor das exportações supera o das importações. No mesmo mês do ano passado, o cenário foi diferente: o país havia registrado déficit de US$ 467 milhões.
Além da reversão do resultado, o saldo positivo também figura entre os maiores para meses de fevereiro nos últimos anos — abaixo apenas do registrado em 2024, quando o superávit chegou a US$ 5,13 bilhões.
Exportação cresce e impulsiona saldo positivo
Segundo o governo, o desempenho do comércio exterior em fevereiro foi puxado principalmente pelo aumento das exportações.
No período:
- Exportações: US$ 26,3 bilhões, com crescimento de 28,5% pela média diária
- Importações: US$ 22,1 bilhões, com aumento de 5,7% pela média diária
Entre os produtos exportados, o principal destaque foi o petróleo bruto, cujo valor embarcado aumentou significativamente, mesmo com recuo nos preços no mês passado. Em março, porém, as cotações do petróleo voltaram a subir, impulsionadas pelas tensões no Oriente Médio.
Os principais itens exportados pelo Brasil em fevereiro foram:
- Óleos brutos de petróleo: US$ 3,7 bilhões (alta de 76,5%)
- Soja: US$ 2,93 bilhões (crescimento de 15,5%)
- Minério de ferro: US$ 2,09 bilhões (alta de 20,9%)
- Carne bovina: US$ 1,33 bilhão (avanço de 41,8%)
- Café não torrado: US$ 1,02 bilhão (queda de 1,1%)
- Carne de aves e miúdos: US$ 856 milhões (alta de 9,8%)
No acumulado de janeiro e fevereiro, o saldo da balança comercial chegou a US$ 8,02 bilhões.
O desempenho representa uma melhora expressiva em comparação com o mesmo período de 2025, quando o superávit havia sido de US$ 1,87 bilhão.
Nos dois primeiros meses de 2026:
- Exportações: US$ 50,92 bilhões (alta de 13,9% pela média diária)
- Importações: US$ 42,9 bilhões (queda de 0,2% frente ao mesmo período do ano anterior)
Comércio bilateral com os Estados Unidos ainda sofre com tarifaço
O comércio bilateral com os Estados Unidos apresentou retração em fevereiro, ainda refletindo os efeitos das tarifas impostas pelo governo do presidente Donald Trump.
As exportações brasileiras para o mercado americano somaram US$ 2,52 bilhões, queda de 20,3% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando haviam atingido US$ 3,17 bilhões.
As importações de produtos norte-americanos também recuaram, chegando a US$ 2,79 bilhões, redução de 16,5% na comparação anual.
Com isso, o Brasil registrou déficit de US$ 265 milhões na balança comercial com os Estados Unidos em fevereiro.
O cenário foi influenciado pelo chamado “tarifaço” imposto pelo governo de Trump, que começou a ser implementado gradualmente a partir de abril. Algumas mercadorias, como aço e alumínio, receberam sobretaxas mais elevadas.
Em agosto, os EUA anunciaram uma tarifa adicional de 50% para produtos brasileiros, embora uma lista com mais de 700 exceções tenha sido divulgada. Entre os itens poupados estavam suco de laranja, aeronaves, petróleo e fertilizantes.
Nos meses seguintes, as negociações entre o governo americano e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avançaram, e parte das tarifas foi retirada, incluindo as que incidiam sobre carne bovina, café, açaí e cacau.
Em 20 de fevereiro, a Justiça dos Estados Unidos decidiu que o presidente havia excedido sua autoridade ao impor tarifas amplas sem autorização do Congresso. A decisão revogou várias sobretaxas aplicadas a diferentes países, mantendo apenas a tarifa geral de 10%.
Brasil amplia vendas para outros mercados
Mesmo com as dificuldades no comércio com os Estados Unidos, o Brasil conseguiu ampliar exportações para outros parceiros comerciais, o que ajudou a sustentar o resultado positivo da balança.
Em fevereiro, os embarques cresceram para várias regiões:
- China: alta de 38,7%, totalizando US$ 7,22 bilhões
- União Europeia: aumento de 34,7%, para US$ 4,23 bilhões
- México: crescimento de 24,3%, chegando a US$ 634 milhões
- Oriente Médio: alta de 10,8%, somando US$ 1,23 bilhão
Por outro lado, houve queda nas vendas para o Mercosul, que recuaram 19,5%, totalizando US$ 1,56 bilhão no mês.