Balança comercial tem superávit de US$ 7,075 bi em julho; país tem déficit com os EUA

Superávit teve queda de 6,3% sobre o saldo apurado no mesmo mês do ano passado, mas acima do esperado por economistas
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A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,075 bilhões em julho, segundo dados divulgados na quarta-feira (6) pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). Embora o resultado represente uma queda de 6,3% na comparação com o mesmo mês de 2024, o número ficou acima das expectativas do mercado.

As exportações brasileiras somaram US$ 32,31 bilhões no mês, alta de 4,8% frente a julho do ano anterior. Já as importações totalizaram US$ 25,23 bilhões, com avanço de 8,4%.

O setor de indústria de transformação liderou o crescimento das exportações, com aumento de 7,4%, seguido pela indústria extrativa (+3,6%) e o agro (+0,3%).

Em julho, o desempenho dos setores foi o seguinte:

  • Crescimento de 0,3% na Agropecuária, que somou US$ 7,19 bilhões;
  • Alta de 3,6% na Indústria Extrativa, que chegou a US$ 7,42 bilhões;
  • Crescimento de 7,4% na Indústria de Transformação, que alcançou US$ 17,58 bilhões.

A expansão das exportações foi puxada, principalmente, pelo crescimento nas vendas de frutas e nozes não oleaginosas, frescas ou secas (+49,3%), café não torrado (+25,4%) e soja (+1,2%) na agropecuária; minérios de cobre e seus concentrados (+81,1%), outros minérios e concentrados dos metais de base (+72,8%) e óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus (+8,1%) na Indústria Extrativa; carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (+46,9%), aeronaves e outros equipamentos, incluindo suas partes (+168,9%) e ouro não monetário, excluindo minérios de ouro e seus concentrados (+87,3%) na Indústria de Transformação.

No acumulado de janeiro a julho de 2025, o superávit comercial somou US$ 36,98 bilhões, o que representa uma queda de 24,7% em relação ao mesmo período de 2024. No período, as exportações cresceram modestamente (+0,1%), enquanto as importações avançaram 8,3%.

Balança comercial: déficit com os EUA cresce 600% no ano, a US$ 2,23 bilhões

Em meio à imposição de tarifas pelo governo Donald Trump, o Brasil voltou a registrar déficit comercial com os Estados Unidos pelo sétimo mês consecutivo. Em julho, as exportações brasileiras ao mercado norte-americano totalizaram US$ 3,71 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 4,26 bilhões, resultando em um saldo negativo de US$ 559 milhões.

Com isso, o rombo nas transações com os EUA superou a marca de US$ 500 milhões pelo segundo mês seguido. O último superávit registrado com os norte-americanos foi em dezembro de 2024.

No acumulado do ano, o déficit brasileiro com os EUA atingiu US$ 2,23 bilhões, um aumento expressivo de 600% em relação ao mesmo período do ano passado (US$ 319 milhões). Segundo o MDIC, o desequilíbrio se deve, em parte, à maior demanda brasileira por bens de capital, reflexo do crescimento da atividade econômica interna.

Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do ministério, ressaltou que o déficit com os EUA é estrutural, destacando que o Brasil importa mais da economia norte-americana do que consegue exportar.

“É difícil reverter essa tendência. O Brasil demanda mais bens dos EUA e concorre em diversos mercados e produtos com os norte-americanos, especialmente no agronegócio”, explicou.

Apesar do avanço nas exportações brasileiras aos EUA neste ano, houve queda de cerca de 15% em segmentos-chave, como óleos brutos de petróleo, ferro e aço, açúcar e celulose.

Tarifaço eleva pressão comercial

As pressões comerciais se intensificaram após o anúncio do tarifaço promovido por Donald Trump, que passou a vigorar na quarta-feira (6) sobre produtos comprados do Brasil. As sobretaxas atingem cerca de 36% das exportações brasileiras aos EUA, com alíquotas de até 50%.

Segundo o governo norte-americano, os motivos são tanto econômicos quanto políticos — incluindo críticas ao processo judicial envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os setores mais atingidos já articulam pedidos de compensação ao governo brasileiro, e o Ministério da Fazenda afirmou que deve encaminhar, ainda nesta semana, medidas de proteção ao Planalto. A decisão final caberá à Presidência.

O Brasil também acionou a OMC (Organização Mundial do Comércio) contra as tarifas impostas pelos EUA. No entanto, o próprio MDIC reconhece que o processo será longo e sem garantia de reversão.

“Um aumento tarifário tende, com o tempo, a reduzir o fluxo comercial. Os impactos não são imediatos, mas a tendência é de retração”, afirmou Brandão.

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