A crise enfrentada pelo Banco Regional de Brasília (BRB) passou a preocupar autoridades monetárias e lideranças políticas do Distrito Federal diante do potencial impacto sobre a economia local. Embora a área técnica do Banco Central considere que uma eventual quebra da instituição não representa ameaça à estabilidade do sistema financeiro nacional, a avaliação interna é de que os efeitos sobre o DF poderiam ser expressivos.
O tema foi discutido na quarta-feira (13) em reunião entre a senadora Leila Barros (PDT-DF) e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Segundo a parlamentar, o encontro teve como foco destacar o peso estratégico do BRB na economia brasiliense.
“O BRB não é apenas um banco. Ele tem papel central no pagamento dos servidores, no crédito imobiliário, no apoio a pequenos negócios, em programas sociais e no desenvolvimento econômico e social da nossa cidade”, afirmou a senadora após a reunião.
O BRB tenta estruturar, até o próximo dia 29 de maio, um plano de socorro financeiro após prejuízos relacionados a operações consideradas fraudulentas envolvendo o Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro. A principal dificuldade, no entanto, está na limitada capacidade financeira do governo do Distrito Federal, controlador da instituição.
No encontro com Galípolo, a senadora também disse ter defendido que qualquer solução preserve empregos, garanta a continuidade das operações e mantenha a estabilidade da instituição.
De acordo com ela, Galípolo reconheceu a relevância do banco e demonstrou preocupação com os trabalhadores ligados à operação.
Governo do DF busca aval para empréstimo
Sem recursos suficientes para realizar uma capitalização direta no banco, o governo do Distrito Federal tenta viabilizar uma operação de crédito. O principal obstáculo é que o DF não possui atualmente capacidade de pagamento considerada adequada para obter garantia do Tesouro Nacional, mecanismo que permitiria acesso a juros mais baixos e melhores condições de financiamento.
Diante disso, a governadora Celina Leão (PP) solicitou apoio ao governo federal para destravar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em ofício enviado à União, a gestora pediu aval do Tesouro para garantir a operação.
A alternativa é considerada o principal plano de salvamento do BRB, embora outras possibilidades também estejam em discussão. Celina Leão, integrante de um campo político adversário ao do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também solicitou uma audiência com o presidente da República para tratar do tema, mas ainda não há previsão de encontro.
Enquanto isso, integrantes da equipe econômica federal sinalizam cautela sobre eventual uso de recursos públicos.
Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a União só consideraria uma intervenção mais ampla em caso de risco sistêmico — cenário em que a quebra de uma instituição pudesse desencadear efeitos em cadeia sobre o sistema financeiro nacional.
Papel regional do BRB amplia pressão política
Técnicos do Banco Central lembram que o BRB está enquadrado no segmento S3 da regulação prudencial, categoria reservada a bancos de porte médio, com ativos equivalentes entre 0,1% e 1% do Produto Interno Bruto (PIB). Na prática, isso reduz a percepção de ameaça ao sistema financeiro brasileiro como um todo.
Ainda assim, o peso regional do banco ampliou a pressão política por uma solução rápida. Em março, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, já havia alertado deputados distritais sobre os impactos imediatos de uma eventual paralisação das atividades da instituição.
Na ocasião, ele afirmou que a ausência de apoio ao plano apresentado pelo governo Ibaneis Rocha (MDB) poderia provocar interrupções em programas de transferência de renda operados pelo banco, além de afetar o sistema de bilhetagem do transporte público do DF, operações de crédito imobiliário e financiamentos voltados a produtores rurais, micro e pequenas empresas e servidores públicos distritais.
O cenário reforça a avaliação de que, embora o BRB não seja considerado grande o suficiente para ameaçar o sistema financeiro nacional, sua relevância para a engrenagem econômica e administrativa do Distrito Federal tornou a crise um tema de forte sensibilidade política e social.