O Banco Central revisou suas estimativas para o balanço de transações correntes em 2025. Agora, a autoridade monetária projeta um déficit externo de US$ 58 bilhões, valor menor que os US$ 62 bilhões previstos em março. Os dados estão no Relatório de Política Monetária, divulgado nesta quinta-feira (26) pelo BC.
Apesar da leve melhora, a autoridade monetária manteve a projeção de US$ 70 bilhões em Investimentos Diretos no País (IDP) para o mesmo período.
A balança comercial também foi levemente ajustada: o superávit esperado caiu de US$ 61 bilhões para US$ 60 bilhões. Já a despesa líquida com viagens internacionais permanece em US$ 14 bilhões, mesma estimativa anterior.
O Banco Central também elevou a projeção de crescimento da economia brasileira este ano. A estimativa para o PIB (Produto Interno Bruto) foi elevada de 1,9% para 2,1%. Segundo o BC, o ajuste reflete o desempenho melhor que o esperado no primeiro trimestre (alta de 1,4%) e perspectivas mais otimistas para o setor agropecuário.
Outro fator relevante foi a resiliência do mercado de trabalho, que apresentou aquecimento no início do segundo trimestre, sustentando o consumo das famílias. O novo modelo de crédito consignado privado também pode contribuir positivamente, embora ainda envolva incertezas.
Banco Central alerta para desaceleração da economia no 2º semestre
No entanto, o BC alertou para uma desaceleração da atividade econômica no segundo semestre, citando:
- Política monetária restritiva;
- Baixa ociosidade da economia;
- Redução do impulso da agropecuária;
- Moderação do crescimento global.
Com a economia ainda aquecida, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC elevou a taxa básica de juros, a Selic, de 14,75% para 15% ao ano no último dia 18, e sinalizou possível interrupção do ciclo de alta em julho.
O Banco Central indicou na ata da reunião que a taxa Selic deve ficar em patamar elevado ainda por um tempo, mas que o ciclo altista deve ser interrompido na medida em que a inflação convirja para a meta perseguida pela autoridade monetária (3% o centro, podendo oscilar entre 1,5% e 4,5%).
Hiato do Produto
O BC também atualizou sua estimativa para o hiato do produto — medida da diferença entre o PIB efetivo e seu potencial. No primeiro trimestre de 2025, o hiato está estimado em +0,9%, acima dos 0,6% calculados em março, sugerindo sobreaquecimento da economia.
Inflação: Estouro da Meta à Vista
A projeção para o IPCA em 2025 foi mantida em 4,9%, acima do teto da meta (4,5%). Para os anos seguintes, o cenário também preocupa:
- 2026: 3,6%
- 2027: 3,2%
O relatório indica que a inflação deve ultrapassar o limite de tolerância por seis meses consecutivos a partir de junho de 2025, o que caracterizaria descumprimento da meta, conforme o novo regime contínuo. Nesse caso, o BC terá de publicar uma carta explicativa ao Ministério da Fazenda.
As probabilidades de estouro da meta foram atualizadas:
- 2025: risco recuou de 70% para 68%;
- 2026: caiu de 28% para 26%.