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A investigação da Polícia Federal sobre a crise envolvendo o Banco Master identificou que o BRB (Banco de Brasília) teria trabalhado de forma ativa para evitar a liquidação da instituição controlada por Daniel Vorcaro.

A representação que embasou a Operação Compliance Zero mostra que a cúpula do BRB adotou medidas para sustentar a liquidez do Master e retardar a recuperação de valores relativos a carteiras de crédito consideradas fraudulentas.

De acordo com os delegados responsáveis pelo caso, havia interesse do BRB em garantir que o Master permanecesse operacional até a conclusão da compra — negócio aprovado pelo Conselho de Administração do banco brasiliense em março, mas barrado pelo Banco Central em setembro.

A PF sustenta que dirigentes do BRB ignoraram inconsistências relevantes nos créditos adquiridos e demoraram a responder aos questionamentos do órgão regulador.

Mesmo diante da possibilidade de reaver imediatamente R$ 6,7 bilhões por meio de cláusulas contratuais, a instituição optou por negociar o retorno dos valores em sete parcelas, entre junho e dezembro de 2025, em desacordo com as previsões do próprio contrato.

Parcelamento atípico e suspeita de “sobrevida” ao Master

Para os investigadores, o acordo parcelado configurou um movimento deliberado para prolongar a operação do Master, que enfrentava dificuldades para honrar compromissos financeiros. A estratégia teria permitido que a instituição ganhasse tempo até a eventual aprovação de sua venda ao BRB — hipótese que, segundo a PF, explicaria a disposição do banco público em aceitar condições desfavoráveis e oferecer alívio financeiro ao parceiro.

A apuração da PF e do Ministério Público Federal aponta ainda que, antes da formalização da compra, o Master teria repassado ao BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado — montante dividido entre contratos considerados falsos e valores atribuídos a prêmios e bônus das supostas carteiras.

O volume atípico das operações e as informações divergentes prestadas por cada instituição acenderam o alerta no Banco Central, que questionou as origens e a consistência dos dados apresentados.

Em resposta, o BRB afirmou que é credor na liquidação extrajudicial do Master e que reforçou seus mecanismos internos de controle. A instituição declarou ainda que pretende atuar como assistente de acusação no processo relativo às operações investigadas.

Operação da PF

A Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de novembro, culminou na liquidação do Master, na prisão de Vorcaro e no afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, posteriormente demitido pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).

Na sexta-feira (28), a desembargadora Solange Salgado, do TRF-1, concedeu habeas corpus para soltura de todos os investigados, incluindo Vorcaro, que havia deixado o centro de detenção no sábado (29).

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