Canadá busca acordo com Mercosul em meio à escalada tarifária dos EUA

Brasil e bloco sul-americano voltam ao radar de Ottawa
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Em meio às tensões comerciais com os Estados Unidos, o governo do Canadá voltou a sinalizar interesse em estreitar laços com o Mercosul. O ministro do Comércio Exterior canadense, Maninder Sidhu, afirmou nesta sexta-feira (18) que tanto o Canadá quanto o bloco sul-americano demonstraram disposição em retomar negociações para um possível acordo comercial. As informações foram publicadas pelo jornal O Globo.

A declaração vem em um contexto delicado: o presidente americano, Donald Trump, anunciou recentemente a imposição de uma tarifa de 35% sobre produtos canadenses exportados aos EUA.

A medida reacendeu o debate sobre a dependência comercial do Canadá em relação ao vizinho do sul — ainda responsável por 68% das exportações do país, segundo dados de maio — e impulsionou uma busca ativa por novos parceiros comerciais.

“Conversei com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, e há interesse mútuo em iniciar diálogos sobre o Mercosul”, afirmou Sidhu, sugerindo que as tratativas podem ganhar tração nos próximos meses.

Mercosul e China

Embora não seja a primeira vez que Canadá e Mercosul exploram possibilidades de aproximação, o momento geopolítico atual aumenta o apelo de diversificação comercial para ambas as partes.

Além do Mercosul, o Canadá avalia também a possibilidade de negociações com a China, segundo o próprio ministro. “Existem oportunidades, mas também desafios no relacionamento com a China”, disse ele.

Atualmente, o Canadá mantém 15 acordos de livre comércio com 51 países, que dão acesso a aproximadamente 1,5 bilhão de consumidores.

No entanto, com a crescente incerteza nas relações com os EUA, há um movimento claro de Ottawa para ampliar sua rede de parceiros.

União Europeia

A União Europeia também segue na mesma direção. Nesta semana, o principal negociador europeu, Maros Sefcovic, afirmou que há “um novo senso de urgência” em torno das tarifas impostas pelos EUA e indicou que blocos como a UE, o Canadá e o Japão podem buscar formas de coordenação diante da nova realidade comercial global.

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