Combustíveis subiram menos no Brasil que em outras partes do mundo durante a guerra

Conflito internacional pressiona mercado de energia
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A intensificação das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, com efeitos que se espalharam pelo Oriente Médio, tem provocado volatilidade no mercado internacional de energia. O aumento das incertezas geopolíticas pressionou as cotações do petróleo e, consequentemente, os preços dos combustíveis em diferentes regiões do mundo, com reflexos diretos sobre índices de inflação.

No Brasil, a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,88% em março, conforme divulgado nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa aceleração de 0,18 ponto percentual em relação a fevereiro (0,70%).

De acordo com o instituto, a pressão exercida pelos combustíveis foi um dos fatores relevantes para a variação do índice no período, em linha com o movimento observado no mercado internacional.

Contudo, apesar da influência sobre a inflação doméstica, os dados indicam que o aumento dos combustíveis no Brasil foi inferior ao registrado em diversos outros países.

Segundo levantamento do portal Global Petrol Prices, entre o fim de março e o início de abril, o litro da gasolina no Brasil custava, em média, US$ 1,314 (clique aqui para ver os preços). No mesmo período, o valor era mais alto na Argentina (US$ 1,520), no Chile (US$ 1,649) e no México (US$ 1,583).

No caso do diesel (clique aqui para ver o ranking), o padrão se repete. O preço médio no Brasil era de US$ 1,444, enquanto no Chile chegava a US$ 1,537. Argentina e México registravam valores de US$ 1,613, e o Peru aparecia com o maior preço entre os países citados, a US$ 1,682.

Brasil ocupa posições intermediárias

Em comparação global, o Brasil aparece nas faixas mais baixas de variação de preços. No caso da gasolina, o país ocupa a 90ª posição entre 128 nações analisadas. Em 25 países, a variação foi inferior a 1%, nula ou negativa.

Para o diesel, o Brasil aparece em 71º lugar. Em 21 países, a variação também ficou abaixo de 1%, segundo o mesmo levantamento.

Os dados consideram a variação de preços entre 23 de fevereiro e 6 de abril, período marcado pela escalada das tensões no Oriente Médio.

Tendências globais

A média de aumento da gasolina nos países onde houve alta mais intensa do que no Brasil foi de 23,5%, enquanto o reajuste brasileiro ficou em 7,6%, de acordo com o ranking. No diesel, a média dos países com variação superior foi de 50,8%, ante 23,5% no Brasil.

Os maiores impactos foram observados em economias mais sensíveis a choques externos e em países do sul e do leste asiático. Já economias desenvolvidas e grandes consumidores, como os Estados Unidos, também registraram aumentos relevantes no período — 35,1% na gasolina e 48,2% no diesel.

Políticas internas e efeitos de amortecimento

As diferenças de comportamento entre países refletem uma combinação de fatores, como regimes de tributação, níveis de intervenção estatal, subsídios e estratégias de regulação de preços.

No Brasil, mecanismos como ajustes tributários, políticas de amortecimento de preços e a atuação de empresas estatais contribuem para reduzir a volatilidade no curto prazo. Ao mesmo tempo, o país combina dependência de importações com condição de exportador de petróleo, o que também influencia o comportamento dos preços internos.

Debate estrutural sobre política de preços

Especialistas apontam que, embora medidas de contenção possam suavizar choques de curto prazo, o desafio envolve equilibrar respostas emergenciais com a sustentabilidade fiscal e energética no médio e longo prazo.

Nesse contexto, o debate sobre o papel do Estado na formação de preços e sobre a previsibilidade das políticas do setor energético segue como um dos temas centrais da agenda econômica, especialmente em cenários de instabilidade internacional.

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