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As compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros cresceram 67% entre junho e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, após o governo zerar o imposto federal que ficou conhecido como “taxa das blusinhas”.

Dados da Receita Federal compilados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) mostram que as remessas internacionais movimentaram US$ 1,61 bilhão, aproximadamente R$ 8,2 bilhões, nos três meses. No mesmo período de 2025, foram US$ 867 milhões, cerca de R$ 4,9 bilhões em valores corrigidos.

A comparação engloba todas as mercadorias processadas pelo Programa Remessa Conforme, inclusive aquelas acima de US$ 50. Por isso, o crescimento de 67% não corresponde exclusivamente às compras beneficiadas pela retirada do imposto.

Número de mercadorias também dispara

Somente em agosto, 26,5 milhões de mercadorias importadas chegaram ao Brasil pelo programa, contra 15,2 milhões no mesmo mês de 2025. A alta foi de aproximadamente 74%.

O crescimento ocorre após a retirada da alíquota federal de 20% que incidia sobre compras internacionais de até US$ 50.

A cobrança havia entrado em vigor em agosto de 2024. Em maio deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou a MP 1.357/2026, zerando novamente o Imposto de Importação para essa faixa de compras.

A mudança foi posteriormente aprovada pelo Congresso e sancionada em setembro. A nova legislação também reduziu de 60% para 30% a tarifa federal sobre remessas de até US$ 3 mil.

A isenção, no entanto, não significa que compras de até US$ 50 estejam livres de impostos. O ICMS continua sendo cobrado e varia de 17% a 20%, dependendo do estado.

Indústria critica diferença tributária

A Abit, que se posicionou contra o fim da taxa, argumenta que a mudança aumentou a diferença tributária entre produtos importados diretamente pelos consumidores e aqueles fabricados no Brasil.

Segundo a entidade, produtos têxteis representam até 40% das remessas internacionais recebidas pelos consumidores brasileiros.

A associação também aponta piora em indicadores do setor. Em julho, segundo os números apresentados pela Abit, a produção têxtil recuou 6,8%, enquanto a de confecções caiu 8,2% em relação ao mesmo mês de 2025. Até junho, o segmento teria perdido mais de 13 mil empregos formais.

Os próprios representantes do setor, porém, reconhecem que o cenário não pode ser atribuído exclusivamente ao fim da taxa. O aumento das importações convencionais, a redução das vendas no mercado interno, o custo dos fretes e os juros elevados também são apontados pela indústria como fatores de pressão.

A legislação sancionada em setembro prevê avaliações periódicas dos efeitos econômicos da isenção. O governo também poderá estabelecer limites de quantidade e frequência para as compras, além de mecanismos para impedir o fracionamento artificial de remessas e o uso do regime simplificado para revenda comercial.

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